Aprender a programar

computer[1]O ensino da programação a crianças faz-se com linguagens de programação visual, fáceis de utilizar, cativantes e muito intuitivas, explica Fernanda Ledesma. Significa que “aquele código puro e duro foi trabalhado de modo a ter uma aparência mais fácil”. Tem sido esse o trabalho desenvolvido no âmbito do “Projeto de Iniciação à Programação no 1.º ciclo do Ensino Básico”, que está no segundo ano de implementação e tem possibilitado às crianças do 3.º e do 4.º ano experimentar a programação.

No ano letivo de 2016/2017, 388 escolas públicas e 84 privadas do 1.º ciclo aderiram ao projeto desenvolvido pelo Ministério da Educação com o apoio da ANPRI, dos Centros de Competência TIC da Universidade de Évora e da Escola Superior de Educação de Setúbal e também da Microsoft.

A adesão ao projeto é opcional, mas este ano letivo abrange 44400 alunos do 1.º ciclo e envolve 1260 professores. Mais de 80% das escolas aderentes optaram por inserir o ensino da programação em oferta complementar. Apenas 17% dos estabelecimentos o fizeram nas atividades de enriquecimento curricular (AECS) que, recorde-se, não são de frequência obrigatória.

Para quem não sabe, as Ciências da Computação são um processo, em que o programar está incluído. Começam quase sempre por identificar um problema, dividi-lo em partes, resolver cada parte do problema e programá-lo, até resolver o problema completo. Neste processo, explica Ledesma, desenvolvem-se o raciocínio lógico, o espírito crítico e até competências de apresentações em público.

A presença da informática e das tecnologias de informação no ensino é um assunto que tem estado na ordem do dia. Contudo, a discussão incide quase exclusivamente sobre os equipamentos tecnológicos – os computadores, projectores e quadros interactivos, ou, mais recentemente, os tablets e até os smartphones dos próprios alunos – e o uso de determinados programas e aplicações. Falta-nos, como em muitas outras coisas, ir ao essencial, o que no caso das máquinas inteligentes, é a programação.

Sem chegar ao exemplo extremo de Singapura, onde os planos para consolidar a liderança nos testes internacionais incluem a aprendizagem de algumas bases e noções de programação logo no pré-escolar, talvez fosse adequado introduzir mais cedo, no nosso sistema educativo, as literacias informáticas, incluindo, de forma adequada ao nível etário dos alunos, o uso de linguagens básicas de programação. A disciplina de TIC surge no currículo apenas no 7º ano de escolaridade, numa altura em que muitos alunos já sabem usar, de forma limitada, as aplicações mais comuns e as redes sociais. E usam os aparelhos para jogar e para se divertirem, o que não é mal nenhum: apenas demonstra que poderiam, com vantagem, começar mais cedo a utilizá-los para outro tipo de aprendizagens.

Integrar a programação e outras competências digitais no currículo dos ensinos básico e secundário, em vez de a encarar, como até aqui, como uma formação de recurso, dada apressadamente em cursos para aumentar a empregabilidade de jovens desempregados: valeria a pena pensar nisto.

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