Testes PISA: nós e os outros

Os resultados dos testes PISA fornecem um manancial de informação que pode ser olhada de muitas maneiras. E mesmo as maiores evidências podem levantar novas interrogações.

Sem muito tempo disponível, em período de avaliações de final de período, deixo análises mais reflexivas e detalhadas para próximos dias, e por agora vou pegar numa ferramenta simples, disponível no site do PISA, que permite fazer comparações directas da evolução dos resultados entre dois países. Pouco sofisticado, é certo, mas com a vantagem da simplicidade, que se presta pouco a mastigações em busca do politicamente correcto. Por exemplo, entre Portugal e Espanha:

pt-esp.JPG

Os dois países ibéricos seguem praticamente a par, sobretudo a partir de 2009, ano em que os testes mostram que Portugal recuperou algum atraso inicial, superando mesmo o país vizinho em 2015. Mas as diferenças não são significativas.

Já em relação à Finlândia, o país que por vezes nos tem é apresentado como modelo educativo europeu, a divergência é evidente: nós subimos, eles descem. Resta saber se, no futuro, as linhas convergentes se chegarão a juntar – e se isso significará uma verdadeira marca de qualidade da nossa educação ou apenas o resultado de que a Finlândia já está noutra, e aí será caso para dizer destes indicadores, valem o que valem.

pt-finl.JPG

Olhemos agora para a Suécia, a terra do cheque-ensino. Resolveram privatizar parte do sistema educativo, financiando escolas privadas com dinheiros públicos, em nome da liberdade de escolha, e aí está o resultado: até nós lhes passamos a perna:

pt-sue.JPG

Finalmente, a comparação global: há efectivamente uma subida dos resultados portugueses, que convergem e no último ano ultrapassaram mesmo a média dos países da OCDE. Mas também é notório um facto indesmentível: a maior subida, em todos os indicadores considerados, ocorreu entre 2006 e 2009. Politicamente, correspondeu ao primeiro governo de José Sócrates e da sua controversa ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues. A termos de atribuir méritos políticos por esta verdadeira alavancagem dos resultados internacionais dos nossos alunos, há uma candidata óbvia à medalha de ouro…

pt-ocde.JPG

2 thoughts on “Testes PISA: nós e os outros

    • Pois… as amostras são sempre o calcanhar de Aquiles de todos estes estudos.
      Eles bem dizem que o processo é supervisionado pela OCDE e que são cumpridas uma série de regras, mas… como é que sabemos que em 2015 não deram também um jeitinho quaquer na composição da amostra?

      Ou ainda, quantos dos países mais bem classificados no ranking PISA não terão beneficiado já de truques semelhantes? Pois custa-me a crer que só em Portugal exista desonestidade nestas coisas.

      Também por isso é que a minha primeira reacção perante todo este aparato estatístico do PISA é sempre achar que… vale o que vale.

      Quanto à MLR: não a estou a branquear, e nunca renegarei as críticas duras que fiz à sua política e ao seu governo enquanto esteve no poder e que tu próprio testemunhaste, pois a grande maioria foram escritas como comentários no Umbigo. Limitei-me a constatar uma evidência, a de que com más políticas também se podem construir bons rankings. A maneira como se faz acaba por ser secundária desde que a coisa cumpra com o efeito esperado.

      Gostar

Comentar

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.