Poesia directoresca

filinto.JPGO diretor é muito bem aceite pelos alunos, professores, funcionários e comunidade educativa, acarinhado por todos. A sua importância não está relacionada com o poder que detém, mas antes com a forma como desenvolve a sua atividade em prol do sucesso educativo dos alunos. É isto que move os diretores e as suas equipas, motivados pelos excelentes profissionais que os acompanham diariamente, na escola, que tudo fazem para o sucesso dos alunos, mesmo quando não têm o apoio adequado da tutela. A figura do diretor ganha cada vez mais uma expressão muito positiva no sistema educativo.

O tom descamba demasiado para o lirismo, mas do que Filinto Lima, director escolar e representante dos directores que se associam na ANDAEP, nos quer convencer é que as comunidades educativas defendem o modelo de gestão unipessoal criado por Maria de Lurdes Rodrigues e mantido desde então por todos os ministros que lhe sucederam.

Não vou dizer que não haja directores, estimados por alunos e pais, professores e funcionários, que realizam, dentro dos condicionalismos que lhes são impostos, um óptimo trabalho. Como professor, conheci casos de presidentes de conselhos executivos de perfil autoritário e centralizador, da mesma forma que encontro, agora, directores que prezam o trabalho em equipa e a delegação de competências nos que com eles trabalham directamente. Depende muito do perfil das pessoas – mas convenhamos que o sistema actual, de direcção unipessoal, está feito para favorecer a afirmação de lideranças fortes e por vezes prepotentes e para fazer dos directores, apesar das aparências de democraticidade, mais os agentes do ME nas suas escolas do que os representantes e defensores destas junto da tutela ministerial.

A defesa do órgão unipessoal de gestão não é consensual nem entre os próprios directores, havendo muitos que se sentiriam mais confortáveis com um modelo de maior colegialidade e partilha de responsabilidades como o dos anteriores conselhos executivos. Mas onde não colhe, decididamente, é entre os professores, que não só prefeririam um órgão colectivo a dirigir as escolas como gostariam de ter uma maior participação na escolha dessa equipa e dos colegas que ocupam os principais cargos pedagógicos.

E o exemplo dado por Filinto Lima, do poder perdido pelos directores na contratação de escola e que gostariam de recuperar também não é especialmente feliz: na memória de muitos professores, especialmente os contratados que passaram por essas situações, estão ainda bem frescos os concursos com critérios de selecção feitos à medida de quem se queria contratar e outros abusos que criaram uma desconfiança generalizada e, nalguns casos, certamente injusta.

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