Percursos directos de sucesso

ranking.JPGOs resultados dos seus alunos nos exames do ensino secundário catapultaram-nas para os lugares cimeiros do ranking de 2015, mas são menos de metade os estudantes das escolas públicas melhor classificadas nesta ordenação que conseguiram, cumulativamente, concluir o secundário sem chumbar no 10.º e 11.º ano e ter positiva nos exames nacionais do 12.º.  

Esta é uma das formas de medir o desempenho das escolas que se tornou possível com um novo indicador para o ensino secundário elaborado pelo Ministério da Educação, que foi disponibilizado nesta terça-feira através do portal InfoEscolas. Chamam-lhe “percursos directos de sucesso” e é contabilizado seguindo o percurso individual dos alunos durante o ensino secundário.

Percebe-se a lógica defendida pelo secretário de Estado João Costa: valorizar apenas os resultados dos exames pode induzir as escolas a reprovar alunos para que eles vão a exame mais bem preparados; mas considerar apenas a avaliação interna pode induzir o conhecido processo de inflacionar as notas dos alunos. É o problema dos rankings, para uns subirem outros terão de descer e a justeza dos critérios que determinam o sobe-e-desce serão sempre questionáveis.

Mas João Costa e a equipa da DGEEC que elabora as estatísticas do InfoEscolas julgam ter encontrado, se não a solução ideal, pelo menos a melhor aproximação possível: a que mede a percentagem de alunos que conjuga bons resultados nos exames com um percurso escolar sem retenções no secundário.

Na prática, e apesar dos elogios provenientes de diversos quadrantes, tenho algumas dúvidas de que este novo indicador, que não deixa de ter o seu interesse, nos apresente resultados substancialmente diferentes dos que eram fornecidos por ferramentas de análise menos sofisticadas. Os colégios privados continuam a dominar os rankings e as escolas públicas que estavam na dianteira por lá permanecem. O secretário de Estado chega a falar em escolas do meio da tabela que, com o novo indicador, atingem lugares cimeiros: admito que possa haver um ou dois casos isolados, mas não creio que se possa presumir que essa seja uma tendência generalizada. As escolas que agora surgem no topo deste ranking já estavam anteriormente bem posicionadas, pelo que haverá mais uma troca de posições relativas do que subidas e descidas acentuadas.

Entretanto, continuamos a iludir-nos com a ficção dos “dados de contexto” que pouco contextualizam e com os quais se constroem modelos virtuais de “escolas semelhantes” que muito poucas semelhanças têm entre si.

Chegamos assim à verdadeira utilidade deste novo indicador estatístico: é mais um instrumento de promoção do sucesso escolar, da forma que é entendido pelo actual governo e tem estado a ser consensualizada internacionalmente, que é a ausência de retenções. Aliás a notícia do Público deixa isto clarinho como água…

É um indicador que “compara o que é comparável” e que “não premeia a retenção nem a selecção dos alunos” pelas escolas, frisou ainda. Ou seja, as escolas que têm a tendência de chumbar os alunos nos anos anteriores aos de exame, com o objectivo de garantir bons resultados nestas provas nacionais, acabam por ser penalizadas nesta nova forma de encarar o seu desempenho.

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2 thoughts on “Percursos directos de sucesso

  1. Acho (mas só acho mesmo, nao tenho certezas) que não concordo. O que a Clara Viana e o Sec. Estado dizem não bate certo. A Clara Viana para não variar está a fazer o frete aos privados e faz o seu próprio ranking com o seu próprio ranking do ano passado. O que eu intuí do que ouvi ontem é que este indicador pode gerar dados muito diferentes.

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    • Pois, a Clara Viana, depois daquelas reportagens e notícias todas inclinadas para o lado dos colégios, é uma jornalista a ler com reservas.
      Também não estive a ver ao detalhe o novo ranking, mas pelo que me apercebi, ao nível do topo não muda grande coisa: os colégios de elite não andam propriamente a chumbar alunos, por isso ficam bem no novo ranking, tal como ficavam no anterior.
      Já entre as escolas públicas, haverá algumas que abusam, e são essas que poderão ser agora penalizadas com uma descida de posições.

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