Um pouco menos de eduquês, sff

res.pngO novo Referencial da Educação para a Saúde está em discussão pública e pode ser consultado no site da DGE. Trata-se de uma versão provisória, e o ME está a aceitar sugestões de melhoria do documento.

Trata-se de um documento orientador destinado à educação pré-escolar e aos ensinos básico e secundário, visando a promoção da literacia em saúde, a adoção de estilos de vida saudáveis e o desenvolvimento de competências sociais e emocionais.

Assume-se como um quadro orientador e de referência para a implementação da Educação para a Saúde em meio escolar, concorrendo para a dimensão transversal da Educação para a Cidadania em qualquer disciplina ou área disciplinar.

Estive a dar uma vista de olhos e não vou questionar a qualidade técnica do documento, elaborado por especialistas dos ministérios da Educação e da Saúde, mas registar apenas a enorme quantidade de conteúdos e objectivos distribuídos pelas cerca de oitenta páginas, referentes a uma dimensão da educação que não chega a ser sequer uma disciplina, mas antes uma área a desenvolver transversalmente.

E é nestas coisas que não bate a bota com a perdigota. Dizia há dias o ministro querer atacar o “currículo obeso” e os programas inexequíveis, definindo aprendizagens essenciais obrigatórias para todos os alunos e deixando o resto à autonomia das escolas. Mas quando se tem oportunidade de produzir orientações para as escolas dentro deste novo espírito, o que vemos é mais do mesmo eduquês palavroso a entremear extensas e prescritivas listas de matérias a abordar e objectivos a cumprir.

Percebo: a equipa era numerosa e cada um quis deixar a sua marca. E concisão e capacidade de síntese também não terão abundado por ali. Mas dever-se-ia perceber que, antes de se exigir o impossível aos professores, haveria de se começar por simplificar este tipo de documentos: muitas das coisas que estão neste referencial já constam, ou deveriam constar, dos programas de disciplinas como Ciências Naturais ou Educação Física. Não faz sentido andar a inventar transversalidades quando as coisas podem ser estudadas de uma forma integrada e sistemática numa ou noutra disciplina, em vez de andarmos às voltas a complicar o que poderia ser simples.

Claro que as escolas podem criar os seus projectos para tratar temáticas como a promoção da vida saudável, articulando diversas disciplinas ou de uma forma transdisciplinar. Mas essa deve ser uma opção a assumir livremente por cada escola, no âmbito da sua autonomia, e não o resultado de uma imposição ministerial. Seria importante que a equipa que dirige o ministério, e que já noutras ocasiões mostrou bom senso e pragmatismo, conseguisse perceber isto.

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3 thoughts on “Um pouco menos de eduquês, sff

  1. É a redescoberta da roda e do fogo, ou, noutras palavras, mais um clímax da redundância.

    Andam as escolas há décadas com projectos de saúde, sexualidades, entrepreneurismo, hortas biológicas, cidadanias, violência no namoro, meios de prevenir gravidez, bullying…..e parece que ninguém lá no ME-Olimpo sabe que isto já acontece nas escolas?

    Ai!

    Gostar

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