Um país sem rumo vendido a estrangeiros


fosun-1.jpgO país amanhece hoje com mais um banco controlado por capitais chineses
. O grupo privado Fosun passa a deter 16.7% do capital do BCP, tornando-se o maior acionista individual, através de uma operação de aumento de capital, pelo qual paga 175 milhões de euros.
 
[…]

O negócio é excelente para o banco, que precisava de estabilidade acionista e de aumentar capital, até porque ainda deve 700 milhões ao Estado da ajuda que recebeu durante o período da troika. Mas… o BCP é o maior banco privado português. A EDP é a maior empresa elétrica do país. A REN – Redes Elétricas Nacionais gere as principais infraestruturas de transporte de eletricidade e de gás natural. A ANA controla todos os aeroportos nacionais. A TAP é fundamental na captação de turistas para o país. Todos foram vendidos ou estão concessionados a investidores estrangeiros, assim como o porto de Sines (detido pela PSA de Singapura) e todos os outros (Lisboa, Setúbal, Leixões, Aveiro e Figueira da Foz, controlados pela empresa turca Yilport).

Ora um país que não controla os seus portos, os seus aeroportos, a sua energia (quer a produção quer a distribuição) nem o seu sistema financeiro na quase totalidade (escapa a CGD) é seguramente um país que terá no futuro cada vez mais dificuldades em definir uma estratégia nacional de desenvolvimento.

Nicolau Santos sintetiza bem o retrato de um país que, entre 2011 e 2015, foi vendido ao desbarato ao capital estrangeiro, com a desculpa da crise e das imposições da troika e embalado nos cantos de sereia do investimento externo.

Na verdade, esta entrega a grandes grupos económicos estrangeiros da gestão de infraestruturas e da exploração de monopólios naturais está hoje a limitar o investimento no país, tanto a nível interno como externo. Pois, como explica o jornalista do Expresso, bancos, portos, aeroportos, e energia estão a ser geridos da forma mais lucrativa para as empresas concessionárias, sem ter em conta os interesses estratégicos do país.

Com a entrega das grandes empresas ao capital estrangeiro o que se fez não foi promover investimento, foi apenas expatriar os lucros do capitalismo rentista assente em sectores protegidos da concorrência, matando ao mesmo tempo o potencial de inovação e diferenciação que apesar de tudo existia na TAP, na PT ou na EDP. Não só não se desenvolveu a economia portuguesa, direccionando o capital estrangeiro para o desenvolvimento de novos empreendimentos e áreas de negócio, como se reduziram as maiores e melhores empresas que por cá existiam a subsidiárias de grupos económicos estrangeiros.

Nicolau Santos refere-se ainda ao pouco tempo em que estas medidas desastrosas se concretizaram e lamenta a “anestesia” colectiva que o permitiu. É verdade que, nesses anos da austeridade e das privatizações à força toda, demasiada gente permaneceu calada. Mas houve também bastante empenho em silenciar as vozes dissonantes do discurso das inevitabilidades impostas pelo internacionalismo financeiro da troika e dos seus agentes nacionais.

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One thought on “Um país sem rumo vendido a estrangeiros

  1. Será difícil ficar pior do que anteriormente, quando a banca estava entregue a alguns portugueses, tais como Rendeiros, Jardins, Salgados, Loureiros e Ulricos (este, infelizmente, ainda nos atormenta).
    Na realidade, a única maneira de evitar os crimes que “todos” estamos a pagar é nacionalizar todo o sector.
    O assunto é demasiado sério para ficar na mão de banksters.

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