Uma lusofonia improvável

escola-senegal.jpgEm que país há mais alunos a aprender Português, no ensino público, como língua estrangeira?

A resposta é surpreendente: não é na Espanha aqui tão próxima, nem nos países europeus ou americanos onde residem as comunidades mais numerosas de luso-descendentes. O país não lusófono que mais investe no ensino da língua portuguesa, quer abrindo turmas nas escolas secundárias, quer formando os seus próprios professores de Português é… o Senegal.

“Esta é uma relação que tem muitos antecedentes”, diz ao DN Ana Paula Laborinho, presidente do Instituto Camões. O português, lembra, está nos currículos desde 1960, ano em que o país ganhou a independência e passou a ser liderado pelo político e escritor Léopold Sedar Senghor, cujo apelido paterno deriva da palavra portuguesa: “Senhor”. “Durante muito tempo, a figura de Senghor foi protetora e tutelar da luta contra o domínio colonial, a par do [angolano] Agostinho Neto. Essas duas figuras contribuíam para essa presença, ainda hoje, de uma massa tão grande de interessados no Português, que depois tem também uma expressão na universidade, onde se formam os professores que nas 14 regiões ensinam a língua.

Na curta lista de onze países onde o Português marca presença entre as línguas opcionais, só em segundo lugar surge Espanha, onde é ensinada a cerca de 23 mil alunos. Os EUA vêm em terceiro, com 10 mil estudantes a aprender Português. Nos restantes países estes valores são quase residuais, mas aumentam se considerarmos outras modalidades de ensino, como sucede na China, onde a língua é ensinada em cerca de 30 universidades, além das ofertas direccionadas para os países da União Europeia e os PALOP:

O ensino do Português está também disponível na generalidade dos países europeus, através de ofertas públicas e privadas dirigidas à comunidade lusófona – só em França há mais de 10 mil alunos – e das secções portuguesas das Escolas Europeias (da Comissão Europeia), com 600 alunos. A Rede de escolas do Ministério da Educação no estrangeiro ensina o currículo português em todos os países da CPLP, à exceção do Brasil – está prevista a abertura de uma escola em São Paulo – e da Guiné Equatorial, abrangendo 6500 alunos. Em Timor, 7000 aprendem ainda nos centros de aprendizagem e formação escolar.

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