Notas finais sobre a vitória de Trump

Sobre as Presidenciais dos EUA e o seu imprevisível, ou talvez não, vencedor, já se disse e escreveu quase tudo o que haveria a dizer, restando agora aguardar serenamente que Trump se instale no poder para que se possa aos poucos ir percebendo o que irá mudar, na “América” e no mundo, com o novo presidente.

Sem paciência para as longas e estéreis análises que mesmo entre nós se vão fazendo sobre a política norte-americana e que conseguem meter tudo ao barulho, desde Nixon aos Simpsons, das revistas para intelectuais ao mainstream dos comediantes televisivos, para no fim nada concluir, deixo apenas duas notas.

O populismo demagógico de direita, misógino e xenófobo, já existia antes de Trump – teve na Europa, em Berlusconi, um importante percursor – e continuará eventualmente a existir depois do homem cor-de-laranja sair da cena política. Mais importante do que diabolizar a personagem, que efectivamente pouco ou nada tem que se aproveite, será construir, à esquerda, candidaturas fortes que rompam com o statu quo e se afirmem como resposta alternativa aos problemas reais – o desemprego, as guerras, a miséria, o empobrecimento, o crescimento da desigualdade – que estão na base da ascensão política de líderes como Donald Trump.

Do resto, fala a realidade dos números, que nos descreve um país refém de um sistema eleitoral do século XVIII que permite que seja eleito para a presidência o candidato que recebe menos votos populares. E que nos mostra também que o trumpismo ganha num país onde o abstencionismo aumenta: pouco mais de metade dos eleitores exerceu, no passado dia 8, o seu direito de voto. E os que ficaram em casa foram sobretudo os potenciais votantes de Hillary Clinton, que a candidata e os seus apoiantes não foram capazes de seduzir ou convencer. Mais do que a vitória de Trump, o que a última eleição traduziu foi a derrota da candidata democrata e de tudo o que ela representa. Como o gráfico comparativo com as eleições anteriores claramente demonstra.

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2 thoughts on “Notas finais sobre a vitória de Trump

  1. Pois, mas como é que nós sabemos que este gráfico corresponde à realidade, e não é mais uma manipulação que eles nos servem, à maneira dos últimos meses?
    Muito sinceramente, já pouco acredito no que diz a comunicação social, mais os seus lugares comuns, pensamentos formatados e sondagens. O Brexit e agora esta eleição chegam como exemplo.Estou-me a lembrar do Bernie Sanders a ganhar primárias em vários estados, e a CS a dizer sempre no fim da notícia, que apesar da derrota Hillary continuava à frente. Cheguei a perguntar-me : mas que raio e que preciso para ele ficar em vantagem?! Depois veio a saber-se que tudo já estava cozinhado.

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    • Os números de 2008 e 2012 são oficiais, e ali nada há a manipular. Em relação a 2016 ambas as barras ainda crescerão um pouco mais, acima dos 60 milhões de votantes, à medida que forem apurados os votos que faltam nalguns estados, mas o quadro final não diferirá muito do que aqui aparece.

      Agora é claro que há muita opinião tendenciosa e manipuladora, e muito ruído comunicacional a dificultar ir um pouco mais além, na análise, do que os tais pensamentos formatados e lugares-comuns. Foi a isso mesmo que tentei fugir neste breve apontamento, pegando apenas, na velha tradição dos States, em duas ou três verdades “evidentes em si mesmas”…

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