Cinco razões para a vitória de Trump

trump.JPGModeradamente surpreendido com a eleição de Trump – pois quase nada proveniente dos States, por mais aberrante que seja, constitui para mim surpresa completa – recupero um texto premonitório de Michael Moore, no qual o controverso cineasta norte-americano apontava já, em Julho passado, as cinco principais razões que, segundo ele, haveriam de dar a vitória a esse “miserável, ignorante e perigoso palhaço em part-time e sociopata a tempo inteiro que vai ser o nosso presidente“:

1. A Matemática do Midwest: a Cintura da Ferrugem, um conjunto de quatro estados deprimidos na região dos grandes lagos – Michigan, Ohio, Pensilvânia e Wisconsin – que tradicionalmente votam democrata, mas onde um candidato desalinhado como Trump, que ameaça taxar duramente os fabricantes de automóveis que transfiram a produção para o México ou mesmo os telemóveis da Apple montados na China, pode facilmente inverter o sentido habitual de voto e dessa forma ganhar as eleições. Sobretudo se fizer estas promessas tendo como pano de fundo uma velha fábrica da Ford desactivada e entre a assistência numerosos desempregados.

2. Os Homens Brancos Zangados: homens que, um pouco por todo o país, assistiram com desagrado à progressiva conquista da igualdade de direitos por parte das mulheres. Poderem ter as mesmas oportunidades de estudar ou de praticar desporto que têm os rapazes, ainda vá. Ou mesmo pilotarem aviões, ou distinguirem-se na música, nas artes e noutras áreas. Mas levar o poder feminino ao ponto de permitir que uma mulher possa chegar ao mais alto cargo da nação e mandar nos homens, ainda para mais depois de terem aturado durante oito anos “um negro” a dizer-lhes o que fazer – isto é, para boa parte do eleitorado machista e conservador, excessivo.

3. O Problema Hillary: a candidata democrata é uma pessoa impopular, com uma imagem pública demasiado associada ao velho e corrupto sistema político. Hoje Hillary não entusiasma ninguém, ao contrário de Obama em 2008, e muitos dos que votam nela, incluindo o próprio Moore, fazem-no para tentar evitar que um fascista chegue à Casa Branca.

4. Os Eleitores Deprimidos de Sanders: a derrota de Bernie Sanders nas primárias democratas deixou amargos de boca entre os apoiantes deste candidato. E se a maioria se resignou a apoiar Hillary Clinton, não o fez com aquele entusiasmo que poderia arrastar mais apoiantes para a candidatura democrata. Uma aposta ousada na escolha do vice-presidente poderia ter conseguido chamar a si esta ala mais jovem e inconformada do partido. Mas essa foi também uma oportunidade perdida a favor de Trump.

5. O Efeito Jesse Ventura: este atleta de wrestling foi eleito governador do Minnesotta nos anos 90, não porque os eleitores estivessem convictos de que ele era o melhor candidato, mas porque quiseram protestar dessa forma contra o sistema político. E o mesmo terá acontecido, em parte, na eleição de Trump. Na câmara de voto não há câmaras de segurança, não há escutas, não há esposas, não há filhos, não há patrões, não há polícias. O eleitor não precisa de razões nem de justificações para votar como quiser e muitos terão votado em Trump apenas porque o podiam fazer. Perante um sistema político desacreditado por políticos que, como entre nós se diz muitas vezes, “são todos iguais”, por que não experimentar um que parece diferente, e ver o que acontece a seguir?…

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