Os feriados ameaçadores

Seis pontes e cinco fins de semana alargados ameaçam produtividade

Não sei que veneta deu hoje à comunicação social portuguesa, pois quase todos os media dedicaram uma peça aos feriados de 2017 e à contabilidade das pontes e fins-de-semana prolongados que permitem fazer.

Ficamos a saber a Quinta-feira da Ascensão, que calha sempre ao mesmo dia da semana, permitirá fazer ponte com o fim-de-semana seguinte. A sério? Ou que a Sexta-feira Santa permite antecipar as mini-férias da Páscoa, coisa que antes, pelos vistos, não sucederia. E que o Carnaval, calhando à terça, também está mesmo a pedir uma folgazita à segunda…

Vamos lá entender-nos numa coisa simples: os feriados são dias de descanso dos trabalhadores, que os gozam da forma que entenderem. E as famosas “pontes” são na verdade dias que os trabalhadores descontam ao seu período normal de férias com o acordo da entidade patronal. Na verdade, serão muito poucas as empresas que, nos dias de hoje, encerram a actividade durante um mês inteiro no Verão – preferem em vez disso distribuir sempre que possível as férias ao longo do ano.

Além disso, estes fins-de-semana de três ou quatro dias são, além de retemperadores para quem trabalha, altamente benéficos para todas as actividades económicas ligadas ao turismo, combatendo a sazonalidade do sector e aumentando as receitas e a criação de emprego. Coisa que os representantes dessas empresas são os primeiros a reconhecer.

Já na indústria, há diversos sectores onde surgem queixas pelos prejuízos inerentes, não só à não laboração, mas também aos custos acrescidos de ligar e desligar as máquinas a meio da semana. Claro que estas empresas têm sempre a opção de pagar o trabalho em dia feriado, assim como outras optam pela laboração por turnos ou pelos bancos de horas. Mas lá está: em vez de reclamarem pelos custos excessivos da energia que enchem os bolsos aos accionistas da EDP e da Galp, preferem continuar a insistir na velha e estafada receita da exploração do trabalho para garantir a sua competitividade. E confundindo, como também se tornou habitual, tempo de trabalho com produtividade. Ora esta aumenta, não com mais dias e horas a trabalhar, mas melhorando os processos produtivos e a organização do trabalho, coisas a que boa parte do nosso empresariado continua avessa.

E para quem chegou até aqui já com vontade de aproveitar uma das pontes que o próximo ano irá proporcionar, aqui fica, cortesia do DN, o programa das festas.

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3 thoughts on “Os feriados ameaçadores

  1. A comunicação social está cada vez mais podre.
    Quase todos os jornalistas / escrevinhadores são hoje pouco mais do que moços de recados do pequeno grupo que saqueou este país e ainda não está satisfeito.

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