Os TPC na escola pública e no colégio

tpc.jpgMenos trabalhos de casa, se faz favor; mais trabalho em sala de aula; e trabalhos de casa mais criativos. Para que os finais de dia não sejam um inferno; para que os fins-de-semana sejam tempo de descanso, de brincadeira, de descoberta – quantos pais conhecem realmente os filhos? –, de cumplicidade, mas também de castigo não por causa do trabalho de casa, mas porque mentiu ou portou-se mal. Porque o trabalho de casa dos pais devia ser, tão só, o de educar.

Em síntese, acho que é isto mesmo que se deve pretender com o TPC na escola pública. E também penso que Bárbara Wong enuncia correctamente a responsabilidade dos pais na educação dos filhos.

Já em relação à escola privada, há um naco de prosa que não resisto a comentar:

Em vez de informar os pais sobre as novidades do ano lectivo, a professora pegou no giz e antes de se virar para o quadro disse: “Bem, as contas já não se montam como no vosso tempo. Por isso, vou ensinar-vos para em casa poderem ensinar os vossos filhos, para que eles não venham dizer-me ‘o meu pai não faz assim’, para não os confundir.”

A mãe que me contou esta história era uma das encarregadas de educação daquela turma de um colégio de Lisboa. A reunião era a primeira do ano e os meninos estavam no 1.º ciclo, já não me recordo se no 1.º, se no 2.º ano. Primeiro, a mãe ficou furiosa com o “já não se montam como no vosso tempo”. […] Depois achou “inacreditável” que a professora estivesse a ensinar os pais a fazer contas […]

“Inacreditável” era também a frase “poderem ensinar os vossos filhos”, continuou a dissecar a mãe. Mas não era a professora que tinha de os ensinar? No entanto, por muito incomodada que estivesse, a mãe não protestou e, tal como todos os outros pais, em vez de apontar no caderninho as datas das interrupções lectivas, aprendeu tudo para “não confundir” a filha.

Pois é, no colégio a coisa fia mais fino. Causam-me sempre alguma perplexidade estes pais que optam por determinados projectos educativos, convictos de que estão a optar pelo melhor ensino que podem dar aos seus filhos, mas depois passam o tempo a criticar as opções, pedagógicas e não só, dessas escolas que escolheram livremente. A parte mais interessante é sempre a da mãe, ou do pai, muito incomodados com o que ouviram no colégio, mas que acabam obedientemente, e sem protestos, a cumprir o tudo o que lhes mandaram fazer.

E o tema dos TPC também passa por aqui: com a escola e o currículo que temos, abolir o trabalho de casa na escola pública pode ser uma forma de empurrar para o ensino privado aquelas famílias que querem que os seus filhos obtenham os melhores resultados. Uma escola mais focada em treinar alunos do que em formá-los e educá-los obtém melhores resultados se os alunos continuarem  em casa os treinos do que aprenderam na escola. Que escola queremos, e o que queremos que os alunos aprendam – no fundo todas as questões em torno da escola desembocam aqui.

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