Demissão

demissao.jpgA revelação de que o chefe de gabinete do secretário de Estado do Desporto se demitiu por ter feito constar, do despacho da sua primeira nomeação para o cargo, a posse de duas licenciaturas que de facto não concluiu, está a deixar a direita em alvoroço perante a perspectiva de poder exigir, com base nisto, a demissão do ministro da Educação.

Do PSD ao CDS, do Observador ao Tavares-Novo, à direita quase todos resolveram explorar este filão inesperado: o ministro poderia nem saber que o chefe de gabinete que impôs no Desporto não tinha as habilitações que declarava, mas parece certo que estava ao corrente do desejo, manifestado pelo anterior secretário de Estado, João Wengorovius, de substituir o chefe de gabinete. Decisão que Tiago Rodrigues contrariou, num processo que acabou com a demissão do próprio secretário de Estado.

Custa-me a perceber o que leva pessoas que não concluíram os cursos superiores em que se matricularam a dizerem-se licenciadas, ainda para mais quando as funções que desempenham não exigem esse tipo de requisitos. Ainda menos se percebe se são estúpidas ou nos tomam a todos por estúpidos, achando que estas coisas não acabam, mais tarde ou mais cedo, por se saber. Que interesse terão em arriscar-se a passar por mentirosos e desonestos perante milhões de portugueses?

Também acho lamentável que se continuem a prover em cargos de responsabilidade e de confiança jotinhas com claro défice, já nem digo de formação académica, mas, o que é bem mais grave, de noções mínimas de ética e decência na política.

Dito isto, acrescento que exigir a demissão do ministro por causa das falsas declarações e das falhas de carácter de um chefe de gabinete, parece-me um claro exagero e uma evidência do desnorte em que vive neste momento a oposição de direita, em claras dificuldades para criticar a política do governo e, ainda mais, de propor alternativas consistentes em que o eleitorado se possa rever.

Aos que andaram dois anos a emparceirar com um relvas nos conselhos de ministros e seguraram no governo um displicente crato e um incompetente casanova após os vergonhosos concursos de professores de 2014 sobra escassa legitimidade para exigir agora, por motivos fúteis, as demissões de adversários políticos.

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