Mais professores para Macau

macau.jpg“Mandar vir mais professores portugueses”, “criar mais horas de ensino” nas escolas macaenses e “enviar alunos chineses para estudar em Portugal” são as sugestões de Wang Zengyang, assessor do Gabinete do Chefe do Executivo do Governo da Região Administrativa Especial de Macau.

O desenvolvimento do papel linguístico-cultural da região, promovendo o bilinguísmo oficial, é considerado um dos dois grandes desafios para Macau, a par da diversificação da economia, afirmou ontem em Lisboa, no auditório da sede da EDP, Wang, o orador principal da quarta conferência de um ciclo que está a ser organizado pela Embaixada da China e pelo Instituto Diplomático português.

Num português fluente, pois foi durante duas décadas professor da nossa língua tanto na Universidade de Macau como em Pequim, Wang relembrou a natureza única de Macau, fruto de um processo histórico que obrigou a dinastia MIng e os portugueses de Quinhentos a entenderem-se. Como explicou, desde 1512, com a chegada de Jorge Álvares, as naus portuguesas eram muito fortes no Mar do Sul da China, mas não conseguiam desembarcar homens e instalar possessões em terra, pois aí era o Império chinês mais poderoso. A oficialização da presença portuguesa em Macau em 1557 foi “a solução para esse impasse”, acrescentou, perante uma assistência que contava entre outros com o embaixador chinês Cai Run, com o presidente do Instituto Diplomático, o embaixador Freitas Ferraz, e o general Rocha Vieira, último governador português de Macau. Também presentes estiveram muitos jovens chineses a estudar em Portugal, o que significa que uma das propostas de Wang está já a ser seguida, tendo, porém, de ser desenvolvida.

Não sei se será assim tão brilhante e promissor o futuro do ensino, em língua portuguesa, na Região de Macau. Ao que julgo saber, e para além da Escola Portuguesa de Macau, onde se ensina em Português, na generalidade das restantes escolas, públicas e particulares, o Português é aprendido sobretudo como língua estrangeira.

Melhor do que nada, dir-me-ão. Mas longe de traduzir, na prática, o bilinguismo oficial que consta do Estatuto do território.

Esperemos que a intensificação dos contactos diplomáticos e governamentais entre Portugal, a China e o governo de Macau possa criar mais oportunidades ao ensino português em Macau e à vinda de estudantes macaenses para Portugal. O necessário contraponto ao interesse crescente pelo Mandarim que já hoje se nota nalgumas franjas da população portuguesa.

 

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