Na escola norueguesa também há problemas

prvasici.gifA Noruega é um país muito diferente do nosso. E as escolas norueguesas também funcionam de outra forma, com uma primária de seis anos onde não há reprovações nem classificações quantitativas, à qual se segue um ensino secundário dividido em dois ciclos e gradualmente mais exigente e, por fim, o ensino superior.

A avaliar pelas estatísticas internacionais, os resultados são bons, com os alunos noruegueses a posicionar-se de forma consistente entre os melhores do mundo. E, note-se, este sucesso educativo é conseguido através da escola pública: na Noruega, o ensino privado tem uma presença quase residual.

Contudo, os professores noruegueses não parecem muito satisfeitos com a profissão e com a vida: segundo a notícia da TSF, são cada vez mais os docentes stressados ou deprimidos que procuram ajuda psicológica ou psiquiátrica ou entram de baixa perante problemas do foro mental que não conseguem superar. Não se queixam, como os professores portugueses, da desconsideração dos políticos, dos cortes salariais, da indisciplina ou da instabilidade profissional. Mas há pelo menos uma queixa que temos em comum: o excesso de burocracia na profissão, que nos obriga a perder, à volta da papelada, tempo que deveríamos dedicar aos nossos alunos.

Poderíamos continuar a falar dos professores portugueses. Mas entre as queixas de quem dá aulas na Noruega, há poucas ou nenhumas referências à indisciplina dos alunos. Einar Skaalvik explica que “na escola primária há problemas disciplinares mas, se olharmos para os professores do ensino secundário e superior, a indisciplina não tem nenhuma relevância”.

O investigador reparou que há [sic] medida que se avança no grau de ensino há outros desafios. Continua a não ser indisciplina, “tratam dos seus assuntos, usam os telemóveis, o que parece não causar problemas nas aulas. O que notamos é que a falta de interesse afeta a noção de eficácia dos professores”.

O uso de dispositivos eletrónicos não é proibido nas escolas da Noruega, depende dos professores. É silencioso, só desvia a atenção. Mas desvia tanto que um terço dos alunos abandona a escola mal termina o ensino obrigatório aos 16 anos.

O abandono escolar precoce, mais característico de países como Portugal, onde o alargamento da escolaridade chegou tardiamente, é afinal uma realidade que se está a universalizar, chegando mesmo aos países mais ricos e instruídos: parece que nem a valorização da escola pelas famílias e pela sociedade, típica dos países do norte da Europa, contraria este tédio que os estudantes parecem sentir pela escola. E isto deixa os noruegueses perplexos, pois não percebem o que vão fazer estes jovens que deixam a escola aos 16 anos num país onde não há empregos para pessoas sem qualificações. Mas acredito que acabarão por descobrir…

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