Instabilidade e facilitismo?

escolinhaA primeira crítica foi a da instabilidade. Quando foram descontinuados os exames no 6.º ano de escolaridade, não faltaram brados sobre a necessidade de estabilidade no sistema educativo. Parece uma brincadeira, não é? Sempre nos queixamos que a escola está desactualizada face aos progressos que se verificam noutras áreas sociais e, quando algo se muda, fala-se que é preciso estabilidade (isto é que o sistema permaneça imóvel à espera da maré). Mais precisamente, diz-se que a instabilidade foi criada ao alterar a realização de exames no decorrer do ano lectivo. Vejamos: todos concordamos que é má pedagogia focar os nossos esforços de ensino nos exames. Sempre dissemos que o que importa é a aprendizagem e não os exames. Se assim for, a falta dos exames não traz nenhuma mudança negativa.

A segunda crítica foi há pouco produzia à intenção do Governo aligeirar os currículos. Obviamente temos ainda que entender melhor o que isso quer dizer e como se irá materializar. Mas, logo à partida, temos de concordar que a corrida à desfilada que os currículos escolares estavam a fazer rumo à complexidade, à linguagem sofisticada, à quantidade de matéria a “aprender”, era um caminho insano. Criou-se e alimentou-se a ideia que era preciso saber cada vez mais, matérias cada vez mais complexas. Todos ficamos abúlicos e emudecidos perante este cavalgar: os professores queixam-se – entre eles – que não é possível dar toda a matéria do programa e, se fosse possível, seria à custa de deixar muitos alunos “para trás” e não poder fazer nada mais que não fosse transmitir e exercitar incessantemente. Também ficaram perplexas as famílias ao confrontarem-se com a linguagem e a complexidade dos programas: pessoas mesmo com cursos universitários revelam-se incapazes de interpretar textos que são dados aos seus filhos com 11 ou 12 anos. Este disparo do currículo é intrinsecamente pouco culto. Confunde a qualidade com a quantidade: lembra-nos as pessoas que enfeitam a casa com metros de prateleiras de livros inúteis. Com currículos desta extensão e complexidade não é possível fazer nada mais do que aulas transmissivas, de treino e de exercício. Isto sim é facilitismo: hipertrofiar um aspecto da educação em prejuízo de todos os outros aspectos.

David Rodrigues reflecte sobre duas críticas que nos últimos tempos têm sido feitas à política educativa do actual governo: a instabilidade criada pela reversão de políticas anteriores e o facilitismo associado aos ajustamentos e simplificações a introduzir nos actuais programas, que a generalidade dos professores considera demasiado extensos e complexos e pedagogicamente redutores.

Partilho da visão optimista do autor: as orientações do governo são necessárias para centrar o ensino nas aprendizagens significativas em contexto de aula, na diversificação de estratégias e na autonomia e responsabilidade das escolas e dos professores. O ensino também é composto de mudança, e há mudanças que são mesmo necessárias para que a escola continue a cumprir o seu papel fundamental e insubstituível na educação dos mais novos.

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