Dia Mundial de Combate ao Bullying

sonia-seixas.JPGO bullying é sempre um comportamento intencional, cujo objetivo é causar dano físico ou psicológico. Não acontece sem querer. Distingue-se de outros comportamentos agressivos por ser repetido — é um padrão sistemático de intensidade variável — e por implicar desigualdade de poder entre os envolvidos, no sentido em que um domina e o outro se sente submetido e intimidado. Esta disparidade pode ser física — um ser maior ou mais forte do que o outro — ou decorrer de questões de personalidade, como a assertividade, a inibição ou a timidez. Pode também haver disparidade numérica, quando o agressor está protegido por um grupo de pares que o incentiva.

Muito oportuna e esclarecedora a entrevista à psicóloga educacional, investigadora e professora Sónia Seixas, a pretexto do Dia Mundial de Combate ao Bullying. A especialista explica que o bullying, ao contrário das situações pontuais de assédio ou violência, se caracteriza pela repetição de um padrão mais ou menos intenso de agressões físicas e/ou psicológicas. E é precisamente o efeito cumulativo que vai fragilizando as defesas naturais da vítima, que à partida também já é escolhida, quase sempre, por ter sido identificada como vulnerável.

Para actuar perante situações de bullying, é necessário em primeiro lugar identificá-las, o que nem sempre é fácil, pois os agressores evitam maltratar em frente de adultos responsáveis ou de pessoas que os possam denunciar. E as vítimas, por vergonha ou medo de represálias, geralmente escondem as humilhações e os maus tratos que lhes são infligidos.

Além da intervenção junto das crianças que sofreram ou praticaram bullying, Sónia Seixas destaca o papel fundamental que têm os chamados observadores: as crianças ou jovens que assistem aos abusos, mas não intervêm. Estes miúdos estão geralmente em maioria nos recreios escolares, pelo que devem sensibilizados para o problema e capacitados para intervir activamente, em grupo, na defesa das vítimas. E, claro, também os professores, educadores e auxiliares de acção educativa não podem ser dissociados do problema: uma vigilância discreta, mas eficaz, dos espaços escolares, é essencial para prevenir as ocorrências e actuar prontamente perante os problemas que possam surgir.

A investigadora chama ainda a atenção para o impacto recente do cyberbullying, muito mais difuso e difícil de controlar do que o bullying tradicional, geralmente restrito ao tempo escolar: pela internet as crianças e os jovens podem estar expostos 24 horas por dia a situações de humilhação, chantagem e assédio, e muitos deles não estão preparados para lidar com as situações. Nem os pais, quando oferecem um telemóvel a uma criança, têm muitas vezes consciência dos potenciais perigos da tecnologia: as fotos comprometedoras, os perfis falsos nas redes sociais, o rasto permanente que deixamos na rede quando começamos a enviar e a partilhar coisas com os outros.

Em jeito de conclusão, deixo um vídeo feito com jovens que à sua maneira superaram o bullying, enviando tweets onde gozam consigo próprios: para estes pode parecer apenas uma brincadeira séria, mas para muitos jovens em todo o mundo é assim que se inicia uma espiral de angústia, depressão e perda de auto-estima que pode deixar graves sequelas e, por vezes, acaba mal.

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