Abrindo os olhos a um cegueta

Paulo_Baldaia.jpgO ano escolar começou na perfeição? Não. Ainda assim, os problemas foram em número reduzido e rapidamente resolvidos? Não. Então o que se passa para os sindicatos estarem tão caladinhos? […]

A educação dos nossos filhos é coisa séria de mais para estar sujeita a estes caprichos. Já não era suposto haver problemas um mês depois da abertura do ano escolar, mas há. E há, por parte dos sindicatos, um silêncio que os devia envergonhar. Não quero esquecer este tema, porque tenho vergonha alheia. Ainda me lembro de que o verdadeiro emplastro televisivo era Mário Nogueira, que aparecia a protestar onde quer que fosse o primeiro-ministro. Alguém sabe onde ele para?

Não sei dizer a Paulo Baldaia por onde anda o Wally Nogueira neste momento, mas sei onde esteve, porque lá fui também, no dia 7 deste mês: em Coimbra, numa iniciativa da Fenprof comemorativa do Dia do Professor que na altura aqui divulguei. Mas o DN não estava lá.

Falo novamente deste encontro de professores porque ele é bem ilustrativo da profunda hipocrisia de certa comunicação social, que ignora selectivamente determinados eventos para decretar em seguida a invisibilidade dos seus promotores.

Nesta conferência, marcaram presença cerca de um milhar de professores de toda a região centro, foram oradores, entre outros, António Nóvoa, David Rodrigues e Licínio Lima, discursaram representantes dos partidos com assento parlamentar e a única intervenção político-sindical, a cargo do próprio Mário Nogueira, foi o discurso de encerramento. Pois tudo isto foi ostensivamente ignorado pela comunicação social: não encontrei uma única referência em toda a imprensa escrita disponível na internet.

Percebo, e conheço bem porque já não é de agora, o preconceito anti-sindical de muitos jornalistas, activamente incentivado pelos patrões dos media: os sindicatos são organizações retrógradas e em declínio, as suas iniciativas são sempre mais do mesmo, o discurso é uma velha cassete e nada do que dizem ou fazem tem relevância informativa.

Agora se há jornais que preferem promover os estudos requentados dos Aqedutos mal escritos e outras prosas feitas por encomenda ao serviço de inconfessadas agendas mediáticas, em vez de divulgarem uma maior pluralidade de iniciativas e posições, então tenham por favor a decência de não se queixarem do silêncio daqueles que silenciam.

Este post não é uma defesa da Fenprof ou do seu secretário-geral, mas apenas a constatação de uma realidade: o discurso de Mário Nogueira, que a Baldaia interessa não escutar, dá voz às queixas e problemas dos professores e das escolas. Deixo apenas alguns excertos mais significativos; o texto integral está aqui.

[…] a falta de problemas maiores nas colocações, não tornou justo o diploma de concursos, pelo que, no processo de revisão que vai iniciar-se este mês seremos firmes na defesa de um concurso único, nacional, em que os candidatos se ordenem pela sua graduação profissional. Queremos acabar com a norma travão para, finalmente, travar uma precariedade que se prolonga anos a fio; não aceitaremos qualquer processo de seleção que se subordine aos interesses e à discricionariedade de quem gostaria de escolher uns e afastar outros, de acordo com as suas preferências, tornando reserva sua uma escola que é de todos.

Faltam assistentes operacionais, problema grave que continua por resolver e põe em causa a higiene, o acompanhamento, a segurança e todo o apoio que é devido a alunos e professores no espaço escolar.

O 1.º Ciclo continua a ser um mar de problemas, com milhares de turmas onde se misturam alunos de diversos anos de escolaridade, muitas vezes ultrapassando os limites legais de alunos na totalidade e também de alunos com NEE; com AEC a interromperem o normal desenvolvimento da atividade letiva; com uma carga letiva para os docentes que chega a atingir as 27,5 horas semanais; com aulas de inglês que juntam no mesmo espaço, à mesma hora e com o mesmo docente, dois anos de escolaridade em atividade letiva e mais um ou dois em AEC. Estes problemas foram já todos apresentados a responsáveis do ME, antes e agora, mas já se percebeu que continua sem haver vontade política para mudar, pois a mudança tem custos que não se querem suportar. 

A indisciplina na sala de aula é outro problema que está, há muito, sinalizado mas nada que, pelo menos o atenuasse foi ainda feito, nem que fosse, este ano, uma simples e primeira redução do número de alunos por turma.

Também a insuficiência dos apoios a alunos com necessidades educativas especiais é problema que se mantém, em alguns casos de forma agravada, neste arranque de ano letivo. Manter a atual falta de recursos e continuar a sobrevalorizar, na referenciação, a vertente clínica em detrimento da pedagógica, será pôr em causa o trabalho dos professores, as aprendizagens e o sucesso dos alunos e, ainda, os princípios da educação inclusiva.

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