A guerra dos taxistas

taxis.JPGO caos rodoviário, os carros ditos “da Uber” vandalizados, as ameaças, a violência física, o aparato policial e governantes, também eles sob ameaça, a reunirem de emergência com os líderes da desordem.

Elementos que caracterizam o protesto que os taxistas estão a fazer hoje em Lisboa, e que convidam pouco a uma discussão racional do conflito que opõe os “industriais” do rádio-taxismo aos novos profissionais do transporte de passageiros, apoiados nas plataformas internéticas.

E no entanto, conviria lançar outros olhares sobre esta luta, introduzindo na análise alguns factos relevantes que habitualmente não são considerados:

Lisboa tem actualmente cerca de 3500 táxis ao serviço, um número excessivo para as necessidades, tendo em conta o decréscimo populacional da cidade e a expansão recente da rede de metro.

Apesar disso, as licenças continuam a ser transaccionadas a muitas dezenas de milhares de euros num mercado, ao que parece, com alguns contornos mafiosos. E não se percebe como se consegue, em face do avultado investimento inicial e da fraca rentabilidade da actividade, amortizar os gastos iniciais e fazer da profissão modo de vida dentro da mais estrita legalidade.

Por outro lado, não faz sentido, ao lado de uma actividade fortemente regulada e limitada a um determinado contingente de veículos e profissionais, permitir o florescimento de um negócio paralelo completamente liberalizado, sendo que ambos realizam, no essencial, a mesma actividade.

Contudo, há diferenças no modelo de negócio. Enquanto os táxis funcionam segundo regras há longo tempo definidas, mas que nem sempre salvaguardam devidamente a qualidade do serviço e os direitos do utilizador, as empresas como a Uber actuam como intermediários entre os clientes e o transportador, apostando num serviço eficaz, personalizado e distinto, sujeito a à avaliação do próprio cliente.

Mas a Uber não é uma vítima inocente nesta guerra dos taxistas. Sendo uma empresas da nova economia, as suas práticas de dumping seguem as velhas receitas do capitalismo selvagem: a Uber acumula prejuízos um pouco por todo o mundo, e se o faz é certamente porque espera, no futuro, ganhar com isso: para já interessa-lhe instalar-se no mercado, depois eliminar a concorrência e, finalmente, impor preços consentâneos com os lucros que espera vir a obter.

Por último, converter o velho rádio-taxismo à nova tecnologia das plataformas e aplicações informáticas não será coisa do outro mundo. Já que os taxistas e as suas organizações não parecem ter visão ou capacidade para isso, que tal a Câmara de Lisboa, que licencia os táxis em serviço na cidade e aparentemente não tem falta de dinheiro, tomar a iniciativa de criar um serviço de chamada de táxis em moldes semelhantes ao da Uber ou da Cabify de que todos os taxistas interessados pudessem beneficiar?

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