Universidade aos 12 anos?

diki.JPGDiki Suryaatmadja, uma criança indonésia com apenas 12 anos, tem um quociente de inteligência (QI) próximo de 200 – a média anda pelos cem – e já foi admitido na Universidade de Waterloo, no Canadá. Mas os psicólogos receiam que o acesso tão prematuro ao ensino superior possa correr mal. “Como é que uma criança se vai relacionar com jovens de 18, 19 e 20 anos, que têm outros interesses? Há o risco de desestabilização e antissocialização”, alerta a presidente da Associação Portuguesa de Crianças Sobredotadas (APCS), Helena Serra, revelando que em Portugal não há nada parecido. Nem a lei o permite.

O génio indonésio natural de Java, que aprendeu a falar inglês em apenas seis meses vendo filmes e lendo livros americanos, está matriculado no curso de Física e também vai ter aulas de Química e de Economia. Passa a ser o estudante mais novo da história daquele estabelecimento de ensino superior sediado em Ontário, a província mais populosa do Canadá.

Não duvido de que alguns miúdos, além de terem uma inteligência muito acima da média, a desenvolvem de forma muito precoce: começam a falar fluentemente quando os da sua idade apenas balbuciam algumas palavras, aprendem a ler muito cedo e mostram grande interesse sobre assuntos específicos em relação aos quais revelam grande entendimento e capacidade de aprendizagem.

Outras crianças mostram-se especialmente dotadas para a música ou o desporto, sendo que nestas áreas a precocidade é uma característica de muitos dos que se vêm a afirmar como grandes compositores e instrumentistas, ou campeões em algumas modalidades desportivas.

Já no campo das matemáticas, das físicas ou das ciências naturais, parecem escassear os exemplos de grandes cientistas que se tenham afirmado especificamente por começarem cedo a estudar e a investigar nas suas futuras áreas de especialização. Os einsteins levam tempo a aparecer, e a precocidade dos pequenos génios tende a diluir-se à medida que vão crescendo e focando a sua inteligência em interesses mais diversificados.

Se acho aceitável, em casos muito específicos e depois de uma avaliação rigorosa, que um aluno possa encurtar em um ano o seu ciclo de estudos no ensino básico ou no secundário, já não me parece sensato antecipar a ida para a universidade a um miúdo que ainda nem chegou à adolescência.

Acredito que o pequeno Diki terá os conhecimentos e a capacidade intelectual para estudar e ter bons resultados nas cadeiras universitárias em que se inscreveu. Mas acho que há muitos outros conhecimentos, e sobretudo vivências, que a entrada precoce na universidade o privará de obter, sobretudo na relação com rapazes e raparigas da sua idade.

E assinalo também a incoerência com que nos dias de hoje se promove a longa permanência dos jovens nas instituições de ensino superior, coleccionando cursos e graus académicos, interrompendo os estudos para estágios e anos sabáticos, repetindo anos para melhorar classificações, ao mesmo tempo que se promove a entrada de miúdos sem a idade nem a maturidade exigíveis, como se disso dependesse a salvação da humanidade.

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