Olhem que quatro!

metralhas.jpgCouto dos Santos, David Justino, Maria de Lurdes e Isabel Alçada. Quatro ex-ministros da Educação – os primeiros de governos do PSD e as segundas em maiorias do PS – com uma convicção em comum, no dia em que se assinala oficialmente o arranque de um novo ano letivo: o combate ao insucesso escolar, que continua a isolar Portugal entre os países desenvolvidos, tem de ser a prioridade absoluta.

Dificilmente o actual ME poderia ter encontrado uma prioridade tão consensual como a da redução do insucesso escolar, com a qual todos os quatro ex-ministros, do PS e do PSD, ouvidos pelo DN, estão de acordo.

Mas haverá assim tantas diferenças entre os quatro ex-ministros? Estou em crer que não.

David Justino continua preocupado com as estatísticas internacionais, que colocam Portugal entre os países desenvolvidos com mais insucesso escolar, reflectindo com isso uma preocupação típica da direita, que sempre se incomodou pouco com as reprovações dos que não sabiam a matéria ou com o abandono escolar dos mais pobres. O problema é que estas coisas são hoje rigorosamente escrutinadas e o país e os seus governantes aparecem mal vistos nas comparações internacionais.

Lurdes Rodrigues, por seu lado, mostra-se contrária à redução das turmas, mas quer que as aulas possam ser dadas por “equipas de professores”, o que quer que isso seja. E descobre possíveis vantagens no apoio tutorial para jovens com historial de insucesso, coisa que ainda poucos ou nenhuns professores conseguiram descortinar.

Isabel Alçada parece ter a intervenção mais sensata, colocando a tónica do combate ao insucesso na prevenção e na intervenção precoce, apostando no reforço do pré-escolar, do 1º ciclo, das competências de leitura e até da educação de adultos, que pode ser uma forma de aproximar da escola a família dos alunos, envolvendo-a mais na educação de filhos e netos.

Finalmente Couto dos Santos, um dos ministros de Cavaco Silva para a Educação, defende uma “mobilização geral”: da família, acompanhando a educação dos filhos, e dos professores, para que dêem prioridade aos interesses dos alunos e não aos seus próprios “interesses corporativos”. Fala um legítimo representante da corporação cavaquista que tantos exemplos de abnegação e altruísmo nos deu, além das falcatruas e desmandos, cujos resultados ainda andamos a pagar.

 

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