A gente que não lê

analfabetismo.JPGEm Portugal, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), existem cerca de 500 mil analfabetos, cerca de 5% da população. Entre eles, há 30 mil em idade ativa — uma minoria dentro de uma minoria que põe em xeque a tese vigente de que o tempo, e a morte, se encarregarão de resolver o analfabetismo em Portugal.

O analfabetismo persiste entre nós, e não afecta apenas a população mais idosa dos meios rurais e de menores recursos. A reportagem do Expresso apresenta vários casos de adultos relativamente jovens que, por variadas razões, não frequentaram a escola. Além das dificuldades em actos banais do quotidiano, como saber o preço dos produtos nas lojas ou apanhar o autocarro certo, não saber ler nem escrever impede-os de aceder a cursos de formação profissional ou obter a carta de condução.

E o problema persiste, pois faltam as respostas concretas às necessidades específicas destes adultos. Os vulgares cursos de educação e formação são pensados para a aquisição de competências profissionais, pressupondo que os formandos possuem a escolaridade básica. Mas quando a aprendizagem tem de começar a partir do zero, tanto o número de horas de formação se revela insuficiente como o tamanho das turmas se mostra excessivo para o tipo de acompanhamento de que estas pessoas necessitam.

São, assim, pertinentes as críticas à actuação negligente e irresponsável do anterior governo, que ao longo dos quatro anos da legislatura ignorou por completo este problema, desinvestindo fortemente na educação de adultos. E regista-se a promessa do governo actual de redesenhar a resposta educativa e formativa nesta área.

O presidente da Associação Portuguesa de Educação e Formação de Adultos (APEFA), Armando Loureiro, acusa o Ministério da Educação de tratar a formação de adultos como “um parente pobre do sistema de ensino” e de, atualmente, não ter qualquer oferta dirigida a estas pessoas: “A formação de adultos e cursos de alfabetização são praticamente inexistentes.”

Questionado sobre as ofertas que existem atualmente e confrontado com as críticas, o Ministério da Educação respondeu apenas que “no âmbito do Plano Nacional de Reformas este Governo está a preparar medidas que flexibilizam os programas de competências básicas para garantir que deles beneficiem mais pessoas”.

Anúncios

2 thoughts on “A gente que não lê

  1. Para o governo de Passos e Portas, os analfabetos e os adultos que queriam beneficiar do ensino recorrente (modalidade de ensino que, convém lembrar, já havia sido quase desmantelada em nome da fraude das Novas Oportunidades) faziam parte do Portugal a ultrapassar.

    Gostar

    • Bem lembrado.
      Era-lhes difícil perceber que um Portugal melhor tem de ser construído com os Portugueses, e isso passa, entre outras coisas, por investir na educação e na qualificação das pessoas.

      Gostar

Comentar

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s