Portuguesa, professora, 37 anos de serviço

helena-amaral.JPGSou professora há 37 anos. Alguns dos meios em que trabalhei já nem existem, felizmente, porque havia naquela altura crianças em condições deploráveis. Fizemos uma evolução muito grande.

Hoje os miúdos são diferentes, claro. Mas continuam com muita vontade de aprender. São é menos focados. Há 30 anos eram muito focados na aprendizagem académica, sabiam que aquilo lhes ia dar possibilidades de ter uma profissão. Sabiam que estudando podiam ter mobilidade social, mesmo os pequeninos sabiam isso. Hoje verifica-se que muita gente licenciada não consegue emprego, nem pôr em prática os conhecimentos que adquiriu, não consegue sair da precariedade. Sim, os meus alunos são pequeninos mas absorvem tudo à sua volta.

Acompanho as crianças do 1.º ao 4.º ano. Chegam sem saber ler, escrever ou fazer cálculos e quando saem  alguns vão com uma bagagem incrível, são capazes de argumentar, de escrever o que pensam… é  uma coisa espectacular.

Muito inspirador, o depoimento da professora Helena Amaral, que nos fala do seu dia-a-dia de professora, das dificuldades e dos desafios da profissão e do muito que mudou, no ensino, na sociedade e na família, desde que, há 37 anos, deu aulas pela primeira vez.

Percebe-se que esta professora do 1º ciclo é dedicada à sua profissão, continua a gostar do seu trabalho, e aguarda a turma de meninos do 1º ano que dentro de poucos dias irá receber com a mesma expectativa e entusiasmo com que terá acolhido os seus primeiros alunos.

Mas não deixa de condenar a forma como a profissão tem sido maltratada e desvalorizada por aqueles que teriam o dever de defender e valorizar os professores e o seu papel fundamental na sociedade:

Conseguimos um Estatuto da Carreira Docente, ao fim de muita luta, um estatuto que nos reconhecia numa profissão, que dizia que tínhamos que ser licenciados, que definia uma carreira única… e de há dez anos a esta parte, além de congelarem as progressões na carreira, o estatuto começou a ser ameaçado. Estou no último escalão da carreira desde 2004, porque fiz uma licenciatura e um mestrado, mas a partir de 2006/2007 ninguém mais subiu e há professores neste momento que têm a idade que eu tinha quando cheguei ao topo e continuam no primeiro escalão.

E tivemos um colega aqui, com mais de 40 anos, que vinha de longe e levava 900 e poucos euros para casa… Não devia acontecer.

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