Como sair da crise?

crise.jpgA recessão que se seguiu à crise financeira de 2007/2008 já leva praticamente uma década, sem que se descortinem, sobretudo na Europa, sinais consistentes de recuperação económica. Mas o facto de os EUA, a braços com problemas semelhantes aos dos europeus, terem lidado melhor com as dificuldades e encontrado formas eficazes de reduzir o desemprego e colocar a economia a crescer, deveria já ter tornado evidente que, se a Europa não consegue seguir pelo mesmo caminho, é sobretudo porque se encontra presa a regras de ortodoxia financeira que claramente não funcionam.

E, como salienta Mariana Mortágua na sua crónica semanal no JN, de pouco serve que à esquerda existam soluções elaboradas e consistentes para sair da crise, se a direita instalada na maioria dos governos e nas instituições europeias não quer ver outra coisa que não a receita falhada da austeridade.

Não vale a pena atirar dinheiro diretamente para os bancos porque os bancos querem reduzir o seu balanço e mais facilmente o colocam em produtos especulativos do que na economia real. Por outro lado, por parte das empresas e famílias, a situação de sobre-endividamento, agravada pelas políticas de austeridade, impede a recuperação da atividade económica. Em larga medida, o que sobra são os tais fundos de investimento, que compram e vendem participações com o intuito de obter ganhos financeiros. Passos Coelho tinha o hábito de confundir isto com investimento, mas, na realidade, não é. Trata-se apenas da compra de investimento já feito.

Qual seria então a solução para este problema? Os estados. E é essa precisamente a resposta que tem sido dada pelos mais consagrados economistas, de Krugman a Larry Summers. Quando os privados não conseguem fazer arrancar a economia, então devem ser os orçamentos públicos a fazê-lo. Como? Suspendendo as regras que limitam os défices de forma absurda em tempo de crise, criando programas de investimento público, pondo os bancos centrais a comprar diretamente dívida aos estados e evitando a dependência dos mercados financeiros. Qual é o risco destas políticas? A inflação, dizem os mais desconfiados. Pois, mas é esse precisamente o objetivo. Tudo o que for feito a este respeito já virá tarde, e a responsabilidade é do dogmatismo ideológico que tomou conta da política e da economia nos últimos anos.

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