Os exames do futuro

planaltoAssim como estes alunos do 4.º ano do Colégio Planalto, em Lisboa, outros da mesma idade, de 41 colégios espalhados pelo país, à mesma hora – 10h30, desta quinta-feira – submeteram-se a um projecto-piloto que pretende marcar o final de cada ciclo não com um exame, mas com uma prova igual para todos, de avaliação externa.

A ideia é da Associação dos Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (Aeep), que pediu ao Instituto de Avaliação Educacional (IAVE) para fazer uma prova. A proposta foi fazê-la, mas em moldes diferentes: online. E, por isso, a Aeep arranjou um parceiro tecnológico, a Hewlett Packard (HP). No futuro, esta ideia pode chegar às escolas públicas, revela Hélder de Sousa, presidente do IAVE. “A aplicação seria, numa primeira fase, às provas de aferição”, diz.

O carácter experimental destas provas está a permitir ao IAVE ensaiar soluções para alguns dos problemas que têm vindo a ser identificados no actual sistema de exames e provas nacionais, e que se acentuaram com o alargamento deste tipo de avaliação ao 4º e 6º anos, promovido pelo anterior governo: o processo de elaboração de provas é complexo e moroso, não há consistência no grau de dificuldade, a logística de distribuição e recolha de provas é pesada, a classificação está ainda demasiado sujeita a erros e apreciações subjectivas, sobrecarregando em demasia os professores classificadores.

A solução para quase tudo isto está na desmaterialização das provas, colocando os alunos a responder directamente num computador. Desta forma as questões de escolha múltipla são automaticamente avaliadas pelo próprio programa e as restantes são classificadas por professores na mesma plataforma onde foram respondidas. Possibilita também que, em vez de cada professor classificar testes inteiros, possa avaliar apenas uma ou duas questões num número alargado de provas, o que confere maior uniformidade à aplicação dos critérios de avaliação.

Estes testes informatizados têm ainda a grande vantagem de não se tornarem públicos, permitindo que as perguntas vão transitando de uns exames para outros, formando assim uma base de questões relativamente homogénea que facilita as comparações de resultados de ano para ano. Poupa-se na constituição de equipas para a elaboração de provas e no tempo que esse trabalho leva a fazer, podendo até, no futuro, essa tarefa ser feita pelo próprio programa, que retira aleatoriamente questões da base de dados.

Tirando partido das potencialidades da programação informática, poderão ainda, no futuro, fazer-se testes adaptativos, que partem das questões mais fáceis para as mais difíceis, como quando se muda de nível nos jogos de computador. Os alunos com mais dificuldades progrediriam mais lentamente, os mais desembaraçados ir-se-iam deparando com questões cada vez mais complicadas.

Exames low-cost, portanto, para um ensino em avaliação permanente. Sobre a real utilidade destas avaliações automatizadas e padronizadas, em que se obtêm resultados tanto mais precisos quanto mais irrelevantes em relação às competências que mais interessaria avaliar, disso, para não variar, fala-se muito pouco.

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