O outro negócio do ensino privado

universidade.PNGFrequentar uma escola privada no secundário permite uma subida das notas de acesso ao ensino superior que pode chegar a ser superior a um valor. Esta inflação nas classificações tem permitido a estes alunos ganhar a competição com outros colegas, permitindo-lhes ultrapassar mais de 450 colegas na lista de seriação dos candidatos em cursos mais concorridos. As conclusões são de um estudo de investigadores do Porto e tem por base os exames nacionais dos últimos 11 anos.

Pegando no exemplo do curso que teve média de acesso mais elevada no último ano lectivo, Medicina da Universidade do Porto, é possível a um aluno com uma nota inflacionada em 1 valor subir 471 posições na lista de acesso. Nesta licenciatura a nota de entrada do último candidato foi de 18,35 valores, o que corresponde ao lugar 504 da seriação. Com um valor a mais, o candidato chegaria ao lugar 33, um incremento de 93%. “A nota meio valor acima desta corresponde já ao lugar 182 da lista de acesso, representando uma subida de 64%”, aponta Gil Nata, um dos co-autores deste estudo.

Note-se que esta área de negócio nada tem a ver com o financiamento público através dos contratos de associação que tanto têm sido falados ultimamente.

Regra geral, estes colégios privados que se especializaram na melhoria de classificações dos alunos do secundário que querem entrar em Medicina ou noutros cursos universitários de média elevada cobram mensalidades caras pelos seus serviços, que todavia os pais pagam sem pestanejar. Pertencem a outro campeonato, bem diferente dos que querem os filhos “no colégio” mas sem desembolsar o pagamento da respectiva propina. Como este de que já aqui falei.

O estudo agora apresentado vem confirmar o que no fundo já se sabia, que estes colégios recebem essencialmente jovens de famílias economicamente mais favorecidas, facilitando o seu acesso à universidade, em prejuízo de alunos tão bons ou ainda melhores do que eles mas que acabam por ser preteridos, às vezes por poucas décimas, no acesso ao curso pretendido.

Demonstra também que, nesta matéria, há poucas ou nenhumas diferenças entre as escolas públicas e as privadas com contrato de associação: as puramente privadas suplantam ambos os grupos na capacidade de inflacionar classificações, colocando-as bem acima das reais competências e capacidades dos alunos beneficiados.

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2 thoughts on “O outro negócio do ensino privado

  1. O cúmulo de tudo isto é quando estes colégios seleccionam os alunos que vão preparar para o ensino superior. Ao meu filho que tinha média de 16,5, foi negada a entrada numa turma de décimo primeiro ano. Esses colégio no porto, cobrar aulas extras ao sábado para preparação de exames para além das mensalidade em si elevada. Seleccionando excelentes alunos, por si só já motivados , não é difícil conseguir estar no topo dos rankings

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