Contratos de associação: alguns números

img_4278.pngJá muito se disse e escreveu sobre o assunto, estando já claro o essencial da questão, que passa por reconhecer que o Estado só deve financiar colégios privados em situações de ausência ou insuficiência da rede pública.

Ou então defender, como o faz a direita ideológica, o princípio demagógico da liberdade de escolha, que no entanto esquece duas coisas: primeiro, que essa escolha se destina a ser paga com o dinheiro dos contribuintes, segundo, que então todos os privados deveriam ser tratados em pé de igualdade, e os contratos de associação deveriam ser alargados às milhares de escolas privadas existentes no país.

O assunto tomou conta da actualidade sobre educação, de uma forma desproporcional em relação ao que verdadeiramente está em causa. Por isso, mais do que os argumentos, talvez os números nos ajudem a perceber melhor a dimensão real do problema:

Perante isto, mantém toda a pertinência questionar porque há-de o Estado pagar a privados para prestar um serviço que ele próprio pode fornecer a menores custos.

Porque há-de uma pequena parte do universo das escolas privadas portuguesas entrar em concorrência desleal, não só com as escolas públicas, mas também com outros colégios onde os pais têm de pagar as propinas.

E como é que, num cenário de cortes orçamentais generalizados, tanto nos rendimentos como nos serviços públicos, se pode seriamente defender o esbanjamento de dinheiros públicos para assegurar os privilégios de muito poucos.

 

Anúncios

3 thoughts on “Contratos de associação: alguns números

  1. Nestas contas ninguém falou nos custos de manutenção dos edifícios. Quem paga a manutenção das escolas estatais? Quanto gastou, ultimamente, a Parque Escolar?
    Ainda não obtive a prova de que o ensino privado fica mais caro (e é melhor) que o ensino público…

    Gostar

    • Os orçamentos já incluem a manutenção corrente dos edifícios.

      Quanto à Parque Escolar, foi um programa que, partindo de uma boa ideia – requalificar as escolas – a concretizou pessimamente, enveredando por um despesismo incomportável, obras faraónicas que logo tornaram inviável a continuação do programa, deixando de parte escolas que precisavam mais de obras do que aquelas que foram intervencionadas.

      Quanto a custos, diria, para além do que referi no post, que na minha opinião o privado tem obrigação de ser mais barato, pois descarta para o público o que não lhe convém: professores mais antigos, porque os mais novos ganham menos, e alunos problemáticos, que consomem mais recursos e perturbam o ambiente e a boa execução do “projecto educativo”.

      Mas como o ensino privado existe para dar lucro, ter menores custos para o patrão não é a mesma coisa que ficar mais barato para o contribuinte.

      Gostar

Comentar

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s