A bicicleta com os pneus vazios

schulz.PNGContinuamos a ser uma bicicleta, mas sem ar nos pneus. Temos inúmeros problemas para resolver. Continuamos a pedalar. Mas os nossos instrumentos não estão na melhor forma.

Muito interessante, pela clareza e frontalidade, a entrevista de Martin Schulz, o social-democrata alemão que preside ao Parlamento Europeu, onde este fala rodeios dos principais problemas de uma Europa cada vez menos solidária e mais desunida. Pode não se concordar com tudo, mas a análise de Schulz revela uma lucidez invulgar entre os políticos europeus. Vejam-se algumas passagens:

O problema dos refugiados pode ser facilmente gerido, distribuindo um milhão de pessoas pelos 500 milhões dos 28 Estados membros. Se mais de 20 não participarem, criam um problema, fabricado aqui.

Somos a região mais rica do mundo, mas a distribuição da riqueza não é justa nem equitativa. […] O problema não é a UE, mas os Estados membros. Uma parte deles decidiram colocar os interesses nacionais em primeiro lugar. Noutros tempos, as gerações de políticos entenderam melhor que uma Europa forte é a melhor proteção para os Estados nacionais.

Precisamos de ir numa direção diferente na nossa economia. E o combate ao desemprego juvenil, em especial, é um dos elementos-chave daquilo que estou a fazer. […] Temos o desemprego agora, temos de gastar as verbas agora. A UE é a acusada. Mas a decisão é dos líderes nacionais. Em caso de fracasso, culpam a UE. O emprego sobe, dizem que foi o governo.

Não sou um defensor de medidas de austeridade. Essa escola de economia que nos diz que temos apenas de cortar nos orçamentos públicos – e nós a cortar, cortar, mas os investidores não chegam – é uma política errada. Precisamos de investimento estratégico em crescimento, especialmente na educação dos jovens. Nunca se conseguirá sanar as contas públicas através de cortes. Também é preciso aumentar receitas. Aqui, a UE pode responder imediatamente com mais de mil biliões de euros por ano que estão nos paraísos fiscais, por fraudes e fuga ao fisco.

Até hoje ainda não tenho conhecimento suficiente do que são os mercados. Sei que muitos desses participantes no que se chama mercados, no caso de risco e perdas, são salvos pelos países e pelos contribuintes, quando é esse poder anónimo que, quando há melhorias, decide sobre as despesas públicas.

Os terroristas que circulam dentro do espaço Schengen não vão ser apanhados por se encerrarem fronteiras, mas sim através da troca automática de informações entre polícias e serviços secretos. É disso que precisamos. E ao escutarmos debates entre ministros da Administração Interna, que dizem que o encerramento de fronteiras nos põe a salvo, verificamos que são os mesmos ministros que recusam a partilha automática de informações dos seus serviços secretos. Isto é ridículo.

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