Indisciplina e violência no 1º ciclo

Aqui para os meus lados, os professores do 1º ciclo queixam-se do aumento de casos de indisciplina entre as crianças, e de como episódios absolutamente excepcionais, nesta faixa etária, se estão a tornar recorrentes em algumas turmas e escolas. Pude depois constatar que esta realidade tende a generalizar-se por todo o país. Um excelente e oportuno post de Rui Gualdino Cardoso ontem publicado analisa o problema, indo ao cerne da questão:

Violência[1]No 1º ciclo, as crianças, veem-se fechadas, dentro de uma sala de aula, seis horas por dia. Quando saem da escola são fechadas em ATL´S, Centros de Estudo, atividades várias, ou até em casa, não têm tempo de brincar, de sociabilizar… A consequência é que não estão a aprender a viver em sociedade. Com isso vem a agressividade, entre pares, aluno/assistente operacional, aluno/professor… encarregado de educação/assistente operacional, encarregado de educação/professor… Os Centros Escolares, neste aspecto, não vieram ajudar, juntaram um número quase incontrolável de alunos, perante o rácio aluno/adulto na escola.

E o problema, convenhamos, não é nada fácil de resolver. Os procedimentos disciplinares previstos no Estatuto do Aluno são concebidos para alunos mais velhos, pelo que não me parece que a sua aplicação no 1º ciclo seja eficaz, além de que as direcções das escolas estão normalmente distantes dos estabelecimentos do 1º ciclo, o que, entre papéis que vão e vêm, atrasa e complica qualquer resolução a aplicar em tempo útil.

Mas deixar o aluno que perturba a aula e impede o trabalho e a concentração dos colegas sem qualquer castigo também não é solução, pelo que as punições habituais de retirar o intervalo ou ir realizar durante esse tempo uma qualquer tarefa acabam por se impor. O problema é quando o castigo aumenta o grau de irritabilidade e frustração do aluno e este, em vez de perceber a necessidade de mudar de comportamento, fica à espera da oportunidade de se vingar ou, simplesmente, de descarregar a sua irritação em cima de quem apanhar mais a jeito.

A tudo isto acrescente-se um grande número de pais que não querem ou não sabem educar devidamente os filhos, mas estão sempre prontos a desculpar as suas asneiras e a exigir também das escolas e dos professores uma compreensão especial para os maus comportamentos. Entre o autoritarismo prepotente e não raras vezes negligente de outros tempos e a permissividade dos dias de hoje que leva a não impor regras aos miúdos, a sociedade hesita e tarda em encontrar um equilíbrio saudável que permita às crianças crescer em liberdade e com afecto, mas ancoradas em regras e relacionamentos estáveis que lhes dêem segurança e as ajudem a desenvolver competências sociais.

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