O papagaio gravissério da direita

barreto.JPGAntónio Barreto parece-se cada vez mais com uma caricatura de si próprio, agora que, pretendendo insultar a inteligência do Ministro da Educação, um académico que aos 38 anos já terá provavelmente mais e melhor currículo universitário do que Barreto construiu ao longo de toda a sua carreira, não encontrou melhor do que chamar-lhe “papagaio da Fenprof”.

Escreveu a sua charla dominical no DN e, ao contrário do que é meu costume, desta vez nem encontro uma passagem que possa aqui apropriadamente destacar, tão baixo é o nível da escrita e notório o ressabiamento do cronista ao ver um governo de esquerda atrever-se a governar sem ser na estrita continuidade do péssimo trabalho do governo anterior.

Basicamente, Barreto mostra a sua contrariedade por o ministro Tiago Rodrigues ter acabado com os exames do 4º e do 6º anos, substituindo-os por provas de aferição a realizar noutros anos de escolaridade. Só por isto, o ministro tem direito a discurso odiento que o tenta colar a outro ódio de estimação do escriba, a federação sindical mais representativa dos professores.

Barreto inventa palavras do ministro que este nunca disse e vê no que foi dito a expressão de uma “língua de pedra” – o que quer que isso seja – que Tiago Rodrigues terá ido beber ao discurso sindical. Pelo meio, a habitual acusação de falta de diálogo, que é a consequência do atrevimento de desta vez se ter ouvido e dado atenção a outras pessoas e organizações, passando ao lado da constelação de poderes fácticos que o centrão governativo laboriosamente vinha construindo, ao longo das últimas décadas, para legitimar e apoiar as políticas educativas construídas contra os professores, a autonomia das escolas públicas e os interesses dos alunos e das famílias.

O relambório de Barreto explora velhos mitos da direita em relação à educação, como o ministério infestado de sindicalistas, comunistas e “eduqueses”, que não deixam fazer “reformas” e chega a roçar a idiotice ao querer-nos convencer que a existência ou não de exames no 4º e no 6º anos é uma questão essencial no caderno reivindicativo da Fenprof. Claro que lançar esta ideia falsa interessa a muito mais gente do que possa parecer, porque se passar para a opinião pública a ideia de que o fim de alguns exames foi uma “cedência” aos sindicatos de professores, então será mais fácil contrariar ou adiar as verdadeiras reivindicações dos professores.

Barreto pode assim ser uma estrela decadente no universo direitista, mas continua capaz de, ao mesmo tempo que agita os seus ódios e papões particulares, subordinar a sua escrita à agenda mais vasta e abrangente de recomposição das forças e influências que se habituaram a gravitar em torno do Ministério da Educação e que a nova conjuntura política veio, aparentemente, perturbar.

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