O palhaço

clown_op_bal[1]Isto de pertencer à direita moderna e gira, de ganhar a vida a escrever umas críticas que se pretendem demolidoras e simultaneamente com piada, de ter quatro filhos e precisar de rabiscar todas as semanas umas engraçadices para os sustentar, às vezes dá nisto: querer-se escrever sobre palhaçadas alheias e acabar num discurso tão apalhaçado e incoerente  que embaraçaria um verdadeiro palhaço…

Por incrível que possa parecer a Tiago Brandão Rodrigues e à frente de esquerda que nos governa, há pais que entendem que a educação que o Estado propõe aos seus filhos não é toda a educação que querem para eles. Os meus filhos frequentam a escola pública, mas fora dela estudam música e inglês, que têm avaliações próprias. Essas avaliações articulam-se com as da escola, e há opções que se tomam logo em Setembro em função dos exames de Maio. Mais: a escola tem também implicações profundas na vida de lazer das famílias. Há pais que viajam com os filhos, marcando férias com meses de antecedência – e para isso contam que o calendário escolar seja respeitado (a prova de aferição do oitavo ano acaba de ser marcada para a semana seguinte ao fim das aulas). Sim: há vida para além do Estado.

Ora bem: em que é que a Música e o Inglês estudados fora da escola implicam com umas provas finais que se farão, ou na última semana de aulas, ou nos dias seguintes?

Que “implicações profundas” terá um conjunto de provas de aferição agora decidido sobre a “vida de lazer” que as famílias irão gozar daqui a cinco meses?

E quem reclama “vida para além do Estado”, não deveria ficar satisfeito por o Estado passar a confiar mais no trabalho das escolas, alunos e professores, libertando os miúdos de exames inúteis e permitindo-lhes gozar mais cedo e despreocupadamente as merecidas férias em família?

Para se concretizarem as aspirações do escriba e mais famílias portuguesas poderem viajar e gozar férias com os filhos, ou investir em actividades extracurriculares do seu interesse, só falta mesmo é reverter a política de austeridade imposta pelo governo de direita e a consequente perda de empregos e quebra de rendimentos dos cidadãos. A época de exames não trará, pelo menos no ensino básico, qualquer impedimento.

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