Estudar para aprender ou para passar no exame?

2-6516-1425187336[1]Concordando globalmente com o novo modelo de avaliação externa no ensino básico ontem apresentado pelo ME, também me parece que ele pode ainda ser melhorado com alguns ajustamentos. Por exemplo, as provas de aferição do 2º ano que talvez ganhassem em ser feitas no 3º, que é um ano fulcral em termos de novas aprendizagens e as falhas que a avaliação viesse a detectar poderiam ainda ser supridas ao longo do ano seguinte.

Já um outro tipo de críticas, em relação a timings, lembram-me a história do velho, do rapaz e do burro: o governo seria sempre criticado quer deixasse tudo como estava, prolongando no tempo uma má solução em que quase ninguém acredita; quer suspendesse tudo, dando tempo para a discussão pública do novo modelo, porque estaria a criar um “vazio avaliativo”; quer anunciasse desde já um novo modelo, como veio a fazer, porque estaria a mudar regras a meio do jogo.

O que me parece que este tipo de críticas revelam é acima de tudo uma concepção errada da avaliação, vista como um fim em si mesmo ao qual se devem subordinar as aprendizagens. Aprende-se, não para saber ou para saber fazer, mas para passar no exame, de preferência com boa nota. Ora é este paradigma que deve ser alterado, organizando-se o ensino em torno de aprendizagens relevantes e não como um treino para uma prova final. Ou, como oportunamente esclarece o ministério:

Em resposta por escrito ao PÚBLICO, o gabinete de comunicação do ME considerou que a adopção do novo modelo “não perturba o normal funcionamento do ano lectivo”. “Porque confiamos no trabalho dos professores e das escolas, é apenas pedido que se continue o bom trabalho lectivo em prol das aprendizagens”, acrescenta, salientando que “o objectivo das aulas não é, nem nunca devia ter sido ‘treinar’ para provas, mas sim proporcionar as melhores aprendizagens”. Sendo assim, alega o ministério, “os alunos que beneficiaram de uma boa gestão curricular estão aptos a participar em qualquer processo de aferição e os que, por alguma razão, estiverem em dificuldade têm o direito de ter as suas necessidades identificadas atempadamente”.

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