Salvar bancos falidos

…Continua a ser um desporto nacional.

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No caso mais recente, o do Banif, decidiram vender por 150 milhões um banco onde o Estado colocou, ou vai ainda colocar, mais de 3 000 milhões de euros. Ou seja, nem 5% do capital investido será recuperado.

Desinveste-se na economia produtiva, cortam-se rendimentos do trabalho, adia-se a recuperação económica e o equilíbrio das contas públicas, mas a mensagem que se continua a passar aos banqueiros e especuladores é clara: façam o que fizerem, nunca serão responsabilizados pela gestão negligente, fraudulenta e gananciosa. O mesmo Estado que garante lucros elevados e impostos reduzidos à banca cá estará para a capitalizar quando for preciso e para assumir os prejuízos sempre que necessário. E no fim nomeia-se uma comissão parlamentar de inquérito para reduzir o assunto à chicana política em vez de se pensar a sério em recuperar o dinheiro dos contribuintes.

Foi a TVI lançou, na semana passada, o pânico em relação ao eminente colapso do Banif, obrigando o governo a resolver rapidamente um problema que vinha a ser empurrado com a barriga, desde 2013, pelo anterior governo. Pois bem: lembram os mais atentos a estas coisas que a TVI pertence à Media Capital, que por sua vez é controlada pelo grupo espanhol Prisa, o qual tem entre os seus accionistas de referência o Santander, o banco que comprou a preço de saldo os activos do Banif.

Temos hoje um governo supostamente de esquerda, mas a ortodoxia financeira neoliberal continua a mesma, permitindo que o Estado capitalize bancos falidos mas obrigando a vendê-los antes que regressem aos lucros. Enquanto não se abolirem ou não se der a volta a estas regras, enquanto os crimes económicos dos banqueiros e dos seus testas de ferro não começarem a ser punidos com penas de prisão, duvido que alguma coisa mude num sistema que está solidamente montado para beneficiar os infractores.

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2 thoughts on “Salvar bancos falidos

  1. A moeda é uma convenção. Quem emite manda no jogo.
    Os banqueiros acumulam moeda a partir das nossas poupanças e da multiplicação pelo juro.
    A bolsa, inicialmente tida como uma actividade ilegal faz o resto.
    Todo o restante discurso é economês…

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    • Pois, as práticas especulativas dos bancos actuais cada menos se distinguem das do crime económico organizado.
      E a emissão controlada de moeda poderia resolver muita coisa, se o dinheiro fosse parar aos bolsos dos cidadãos e à economia real em vez de alimentar os buracos negros do sistema, os “bancos maus” e os paraísos fiscais.

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