Os rankings e o direito à informação

foto_ministro[1]Maria do Carmo Seabra, breve Ministra da Educação no governo de Santana Lopes, também tece comentários elogiosos à utilidade dos rankings das escolas seguindo a linha argumentativa que já se tornou comum de que ter informação sobre os resultados dos exames é um bem em si mesmo.  E daqui deriva-se para o velho mito liberal de que tendo informação as pessoas fazem escolhas informadas e isso funciona como estímulo para os “bons”, que são mais procurados e prestigiados, ao mesmo tempo que obriga os “maus” a mudar para melhor:

Estes resultados estão em consonância com outros estudos empíricos, realizados em diversos países, que demonstram que os mecanismos de responsabilização ou prestação de contas (accountability) dos professores e das escolas que consistam na disponibilização de informação sobre os sistemas educativos têm efeitos positivos e significativos no desempenho dos alunos. A obtenção destes resultados exige que a informação prestada seja credível, comparável e fácil de compreender, características que os rankings baseados em notas de exames nacionais possuem.

Ora bem, o que aqui temos é o argumento do facilitismo: assim como os exames são a forma mais fácil de avaliar, também são a forma mais fácil de comparar resultados entre escolas. Resta saber se a informação que se dá é relevante e perceber o que ela nos permite realmente “compreender”. E, mais importante ainda, os efeitos que isto vai ter.

Pois a verdade é que a informação nunca é igual para todos, assim como desigual é o uso que podemos fazer dela. Qualificar uma escola como má por apresentar médias baixas dos seus alunos nos exames nacionais resulta em que as famílias mais atentas tentem colocar os seus filhos noutras escolas mais bem classificadas. Que nem serão necessariamente melhores em termos de qualidade de ensino: o que é garantido é que recebem melhores alunos e que os pais destes estarão disponíveis para ajudar os filhos, comprando livros, pagando explicações e o mais que for necessário para ajudar à melhoria das notas.

Quanto à escola “má”, a saída dos melhores alunos só contribuirá para que venha a obter no futuro resultados ainda piores. Os rankings contribuem assim para agravar, de ano para ano, as assimetrias e a desigualdade do sistema educativo, como os mais de dez anos que levamos disto já deveriam ter dado para compreender.

E não nos venham dizer que há evoluções positivas, que sabemos bem que não é com os rankings que isso se consegue: é mandando fazer, sempre que é preciso, exames mais fáceis.

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