Obtusidade educativa

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Foi há três anos que mais de 100 mil alunos do 4.º ano fizeram, pela primeira vez em democracia, exames nacionais a Português e a Matemática. A média desse primeiro ano foi de 2,81 (numa escala de 1 a 5). Três anos passados a média é positiva, 3,25 valores, e quase metade das escolas (45%) melhorou de ano para ano. A maioria já tinha este ano programado para voltar a responder aos exames em Maio.

Porque é que os resultados dos exames do 4º ano foram subindo nestes três anos?

Porque se passou a dedicar mais tempo ao Português e à Matemática, em detrimento do Estudo do Meio e das Expressões?

Porque se investiu mais no adestramento dos alunos para a tipologia de provas e dos exercícios que “saem nos exames”?

Porque as provas se foram tornando mais fáceis, correspondendo à necessidade de legitimar politicamente esta opção fabricando resultados que pudessem “provar” que houve uma melhoria nas aprendizagens?

Provavelmente nunca saberemos, pois os rankings só nos informam daquilo que os seus autores nos querem dizer. Mas a informação que a notícia do Público nos dá, acerca da forma como 0 sucesso estatístico nos exames do 1º ciclo tem sido construído, só serve para comprovar o acerto de se ter iniciado a legislatura com a revogação dos exames do 4º ano:

Os resultados melhoram graças ao “enorme esforço que os docentes fazem, muitas vezes esquecendo a sua vida familiar, trabalhando fora do horário”…

Durante o ano, até à data dos exames, os alunos só aprendem e treinam para os exames de Português e de Matemática – a pedido da escola, todos compram um manual com exames e fazem-nos num contexto semelhante ao dos dias em que os fizerem, para se adaptarem. (…) Os meninos de Mafra só aprendiam Estudo do Meio depois de feitos os exames, nas últimas semanas do ano lectivo.

Também os da EB de Penafiel (270 provas, média 3,58) – “o maior centro escolar do país”, informa Clotilde Freire, coordenadora –, trabalhavam as disciplinas que iam a exame, compravam manuais, e, só depois de feitas as provas, os professores se dedicavam ao Estudo do Meio. “Não há exame e por isso fica para depois”, justifica.

Também os alunos do Colégio Álvaro Vidal – Fundação CEBI, em Alverca (a segunda privada com mais provas, 248, e com média de 3,18) trabalhavam para ter melhores resultados, mesmo nas férias da Páscoa; além de os professores do 2.º ciclo trabalharem em sala de aula com os do 1.º, exemplifica Álvaro Ganhão, coordenador do 1.º ciclo.

Nas férias, as crianças das duas turmas do Externato Infantil Paraíso dos Pequeninos, em Santa Maria da Feira (a primeira do ranking com média de 4,38) fizeram simulações e aprenderam a relaxar, conta Nuno Moutinho, director e professor na Universidade do Porto.

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