Enterram-se a si próprios

Exames1

Mais interessante do que demonstrar uma vez mais que a introdução precoce dos exames traz mais prejuízos do que benefícios, e por esse motivo as provas equivalentes aos nossos exames da 4ª classe foram abandonados pela generalidade dos países desenvolvidos, é analisar os toscos argumentos de quem ainda os tenta defender. Como sucedeu hoje na discussão parlamentar que culminou na revogação, com os votos contra do PSD e do CDS, dos ditos exames.

[Nilza de Sousa, do PDS] defendeu os exames, sublinhando a importância de garantir que “os alunos atingem os mínimos exigidos para passarem de ano” e de identificar os que têm dificuldades, para “os ajudar”. Ana Rita Bessa, do CDS-PP, usou um argumento semelhante, considerando que “equidade de oportunidades é garantir que todos atingem os mínimos exigidos, para o respectivo ciclo, de forma a transitarem bem preparados para o ciclo seguinte”. Lembrou, ainda, que os exames têm um peso de 30% na avaliação final, pelo que avaliação contínua “continua a ter um peso preponderante”.

O que está errado neste raciocínio: consegue-se que os alunos atinjam “os mínimos” garantindo, em primeiro lugar, que esses mínimos estão ajustados à idade e às capacidades dos alunos e, em seguida, que disporão dos apoios necessários à superação de eventuais dificuldades. Não é no final de um ciclo de ensino que devemos avaliar se “estão preparados”, é desde o início da escolaridade, nalguns casos ainda no pré-escolar, que se impõe fazer o despiste precoce dos problemas de aprendizagem, das suas causas e da forma de intervir tendo em vista a sua superação.

De notar ainda que a “boa preparação” para o ciclo seguinte tem sido aferida por exames com grau de dificuldade variável em função dos ciclos políticos, o que nos leva a um outro problema de fundo, o de a discussão em torno dos exames nunca ter abandonado a esfera político-partidária. Os exames do 4º e do 6º ano, tal como o de Inglês do 9º, foram impostos por um MEC que nunca soube ouvir, muito menos convencer, nem os professores, nem os restantes agentes educativos, nem mesmo a sua câmara de ressonância que dá pelo pomposo nome de Conselho Nacional de Educação.

Tratando-se de uma bandeira política sem qualquer relevância ou utilidade pedagógica, antes pelo contrário, é natural que a imposição dos exames do 4º ano seja revertida perante a mudança de governo.

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