Criticar os colegas no Facebook

O que pensar quando um professor coloca no seu facebook, acessível a todos, um texto deste teor?

Os complexados, meninos da mamã, divagam em pedagogias inúteis…como eles!
Reuniões, mais reuniões, gente unida para se defender na impossibilidade de o fazer individualmente!
Ausência de ética e deontologia no ensino!
Professores…isso era dantes!
Incompetentes, juntam-se para vingar em grupo!Facebook-Good[1]
As crianças…que se lixem! Não são nossos filhos!
In…com…pe…tên..ci…a!
E, sorriem, em alarvidades absurdas!
Continuem assim e arruínem mais o ensino!
Lembrem-se desse bem precioso…AS CRIANÇAS!
Quem vos avisa…

Não conheço pessoalmente a pessoa em causa, nem desejo identificá-la, pois não quero fazer disto uma questão pessoal. Interessa-me, isso sim, mostrar a facilidade com que um professor, provavelmente aborrecido com a sucessão de reuniões intercalares e o tempo que lhe tomam, eventualmente achando irrelevantes alguns assuntos ou intervenções a que se vê obrigado a assistir, se calhar chateado porque lhe coube a ele fazer a acta extensa de uma dessas reuniões, resolve vir disparatar publicamente contra os colegas de escola e de profissão.

Repare-se como o discurso se perde em acusações e insinuações generalistas, tendo de permeio a apologia do “antigamente é que era bom” e, claro, a invocação das criancinhas, que é por elas que o professor descontente com os colegas e a profissão resolve colocar lama na ventoinha e dispará-la em todas as direcções.

Claro que não custa nada fazer o exercício ao contrário e notar que o ataque continua a ser, em muitas situações da vida, a melhor defesa. E antes que alguém note a falta de profissionalismo de um colega, a sua indisponibilidade sistemática para colaborar nas tarefas para que vai sendo solicitado, a falta de preparação que levam os seus alunos ou as súbitas “doenças” que o afectam em momentos decisivos do ano lectivo, nada melhor do que ser o próprio a verberar a burocracia ou a falta de ética dos outros, dando a entender que é superior a todas essas coisas corriqueiras que preenchem o quotidiano de um professor. E que às vezes lhe fazem a vida num inferno.

Não sei se os exemplos que referi se aplicam a este professor – espero que não! – e serei sempre crítico de uma escola a “trabalhar para os papéis”, como aqueles que me conhecem profissionalmente poderão testemunhar. Mas entendo que há discussões “corporativas” que ganham em ser feitas nos lugares próprios e que as críticas para o exterior devem ter direcção e objectivos concretos, nada se ganhando em meter no mesmo saco aquilo que é prática profissional dos professores, os procedimentos adoptados pelas direcções escolares e as normas legais impostas pelo MEC.

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