Varoufakis em Coimbra

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A presença na Universidade de Coimbra, perante uma plateia a abarrotar – e muitos mais ficaram de fora, pois a dimensão da sala não era a adequada para o evento – não trouxe grandes novidades, mas foi ainda assim uma oportunidade para Varoufakis expor de viva voz as suas ideias e tecer algumas considerações sobre a situação portuguesa.

As notícias saídas no Público, no Económico e noutros jornais demonstram como Varoufakis continua a ser um homem incómodo para o situacionismo europeu, desde logo pela forma desassombrada como desconstrói os mitos em torno do europeísmo:

  • Com o colapso do capitalismo em 2008 criou-se uma “bankruptocracy”. Hoje são os banqueiros falidos que dominam a economia, enquanto um verdadeiro capitalista, que quer investir, criar emprego, nos dias de hoje sofre quase tanto como os proletários.
  • A “recuperação económica”, celebrada por alguns, não passa de uma recessão em lume brando, sob a ameaça da deflação.
  • Ao criar um cartel e uma moeda única por cima, os povos europeus transferiram a soberania para Bruxelas, mas em Bruxelas há um buraco negro porque o Parlamento não pode ter iniciativas legislativas e está lá para legitimar decisões ilegítimas.
  • No Eurogrupo as decisões são tomadas com base na ignorância e não há disponibilidade para se discutir as regras. Varoufakis foi acusado de má-fé por enviar um e-mail aos outros ministros das Finanças com as propostas do governo grego que iam ser discutidas numa dessas reuniões. “Tive a audácia de falar sobre economia no Eurogrupo e fui acusado de ser um perigoso comunista”.
  • Se a inteligência dos jovens é mais alta do que nunca, em contrapartida os políticos de hoje são inferiores aos políticos de ontem. Pessoas superiormente inteligentes não vão hoje para a política porque um político vale sobretudo pela capacidade de repetir ideias feitas.

Sobre Portugal, o ex-ministro grego sublinhou o que muitos sabem mas poucos dizem, que se não fossem as compras de dívida pública que o BCE de Mario Draghi tem andado a fazer, já tínhamos ido para o buraco há muito tempo. E manifesta o cepticismo perante as intenções do PS de honrar os compromissos internacionais e respeitar as regras do Euro. Porque nem uns nem as outras são possíveis de cumprir.

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