A escola segundo Daniel Sampaio

escola2[1]O psiquiatra e escritor Daniel Sampaio tem hoje um olhar bem mais crítico sobre o sistema educativo do que nos tempos socratinos, período em que as políticas educativas pareciam estar no rumo certo e apenas os malandros dos professores, seus alvos favoritos, persistiam indiferentes à necessidade das mudanças.

Na sua crónica dominical no Público sintetizou alguns defeitos e insuficiências das escolas portuguesas dos vários níveis de ensino. Ora as sínteses, se têm a vantagem de permitir dizer muito em poucas palavras, trazem consigo o inconveniente de levarem por vezes a generalizações forçadas. A realidade educativa é demasiado diversificada e complexa para caber em meia dúzia de formulações esquemáticas, que ainda assim tocam nalguns dos problemas fulcrais que diariamente temos de enfrentar:

  • No pré-escolar, as crianças passam demasiadas horas nas instituições, mas são pouco estimuladas;
  • No 1º ciclo, as metas de aprendizagem impõem um ritmo que nem todos os alunos acompanham, com a agravante de faltarem os meios para o apoio individualizado aos mais lentos ou com maiores dificuldades;
  • No 2º e 3º ciclos prevalece a indisciplina, perdendo-se demasiado tempo a admoestar os alunos ou a aplicar castigos que têm cada vez menos efeito, como faltas e suspensões;
  • No secundário, continuam a existir muitos alunos desmotivados, sonolentos, por vezes indisciplinados, a quem a escola nada diz para além dos intervalos entre as aulas e o convívio com os amigos;
  • A desvalorização do desporto e do ensino artístico, patente em todos os níveis de ensino, impede que estas áreas possam ter um papel importante no estímulo e na valorização de alunos com talento para a música, o teatro ou as modalidades desportivas.
  • Na escola existem problemas de saúde mental, sobretudo no secundário, mas nem os professores nem os serviços de saúde estão preparados para lhes dar resposta.

Daniel Sampaio tem razão sobretudo numa coisa: apesar de termos tido uma campanha eleitoral particularmente disputada para as legislativas, a educação esteve sempre ausente do debate político. Nem a comunicação social nem os próprios candidatos parecem ter olhado para este sector como susceptível de despertar interesse, criar polémica ou, menos ainda, de render votos.

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