Menos professores, mais exames, ensino mais barato

Pingo+Doce[1]A Fundação Manuel dos Santos continua a promover uma visão neoliberal da educação, focando-a nos resultados, que para serem “fidedignos” devem incorporar mais e mais exames, destinados a quantificar a progressão dos alunos, e no mito de que uma avaliação objectiva só pode ser quantitativa e baseada em dados e métodos estatísticos.

Desta vez andam a promover uma investigadora dos States, um país que tem algumas universidades de excelência, e boas escolas privadas, mas que está longe de ser uma referência, antes pelo contrário, ao nível da educação pública e da promoção de uma educação inclusiva e de qualidade para todos.

Lê-se a notícia do Público e salta à vista o eduquês de direita, o relambório de ideias preconceituosas e receitas falhadas do ministério de Nuno Crato:

No estudo defende-se que, depois de estabelecidas quais devem ser as metas de aprendizagem dos alunos, e as metas profissionais a alcançar por professores e directores, deverá ser avaliado o trabalho de todos para determinar o seu sucesso – o progresso dos alunos e a qualidade dos professores – podendo, depois disso, inferir-se qual o grau de qualidade do estabelecimento de ensino.

Em suma, avaliar tudo e todos, menos os mentores e os responsáveis pelas políticas pois, reclama a autora do estudo, «este modelo é apolítico e isento de preconceitos, e que tem como único objectivo “fornecer informação objectiva e independente, de uma forma que seja coerente e consistente em todas as escolas, independentemente das preferências programáticas dos responsáveis políticos”.» A alegada isenção, independência e objectividade, servindo aqui de tentativa de escamotear um programa claramente político, ideológico e preconceituoso.

Mais chocante é a afirmação reiterada de “que não é evidente que a redução do número de alunos por turma tenha efeitos práticos nos resultados escolares”, como se as turmas mais pequenas servissem apenas para agradar a pais, professores e sindicatos. Como se não fosse uma verdade evidente para todos os professores e agentes educativos no terreno que um ensino que se quer cada vez mais direccionado para o sucesso de todos os alunos e para a criação de respostas individualizadas para as dificuldades de aprendizagem exige turmas mais pequenas e mais professores disponíveis para a implementação dos indispensáveis apoios educativos.

De resto, o estudo continua a apontar excesso de professores em Portugal, considerando que custam demasiado em salários e que não foram dispensados e despedidos em número suficiente nos últimos anos.

E traz algo que deve ser música para os ouvidos de Nuno Crato, a receita para fazer mais e mais exames, cada vez mais baratos: a reciclagem das perguntas de uns exames para outros, fazendo com que em cada prova saiam 80% das questões do exame anterior.

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2 thoughts on “Menos professores, mais exames, ensino mais barato

    • Obrigado, Daniel.
      Quando os mestres de Boston nacionais perderam credibilidade, nada como ir buscá-los ao estrangeiro.
      Poder pagar-lhes com as sobras dos lucros dos empresários da grande distribuição, ainda melhor.

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