E se ganhar a abstenção?

Verdadeiro mito urbano que já conheceu melhores dias, a ideia de que se a maioria dos eleitores se abstivesse, votando em branco ou nulo, as eleições não seriam válidas. E essa seria a forma de os eleitores mostrarem o seu desagrado com todos os partidos existentes e de forçar uma mudança, não se sabe bem qual, no sistema político.

Pois bem, a Comissão Nacional de Eleições esclarece o que é claro perante a Constituição, as Leis Eleitorais e o simples bom senso:

Os votos em branco, bem como os votos nulos, não sendo votos validamente expressos, não têm influência no apuramento do número de votos obtidos por cada candidatura e na sua conversão em mandatos.
Ainda que o número de votos em branco ou nulos seja maioritário, a eleição é válida e os mandatos apurados tendo em conta os votos validamente expressos nas candidaturas.

A verdade é que para contestar seja o que for, temos de ser capazes de expressar os motivos concretos do nosso descontentamento. E a maneira de retirar do poder pessoas que governam contra os nossos interesses é substituí-las por outras que sejam mais do nosso agrado. E se um grupo alargado de cidadãos não se revê nas ideias, nas práticas ou nas pessoas instaladas ou candidatas a cargos políticos, o seu dever cívico será contribuir para uma alternativa que não seja apenas dizer mal dos que lá estão ou dos que os querem substituir.

Roubei a imagem ao oportuno post do Aventar para relembrar que não votar, ou votar branco/nulo é basicamente permitir que outros decidam por nós. Aqueles que nunca se esquecem de votar…

voto_em_branco_ou_nulo_ou_abstencao

4 thoughts on “E se ganhar a abstenção?

    • Nao confundam votos em branco ou nulos com ABSTENÇÃO . Mais de 50% de ABSTENÇÃO as forcas armadas terão de passar para do povo e a corja que se encontra na AR, serão postos fora e uma nova Constituição terá de ser escrita acabando com a actual ( a cartilha dos canalhas) que foi feita para beneficiar TODOS OS ACTOS CANALHAS perpetrados por qualquer politico desonesto

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      • Na verdade já houve várias eleições presidenciais e europeias em que a taxa de abstenção ultrapassou os 50% e não aconteceu nenhum golpe militar, como está a sugerir.

        Em democracia, a única forma de mudar de políticos é substituí-los através do voto. O que implica votar. Nenhuma luta se ganha por falta de comparência.

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  1. Mas há uma coisa curiosa na nossa democracia.

    Quando os cidadãos são chamados para eleger deputados, autarcas ou até o presidente da república, a eleição é válida com qualquer número de votantes.

    Já em relação aos referendos, quando não se trata de eleger políticos mas sim de o povo tomar decisões que os políticos ficarão obrigados a cumprir, aí impõe-se a regra dos 50% de votantes para o resultado ser vinculativo.

    Dá que pensar…

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