Maioria de esquerda

esquerda-direitaConcordo com o Paulo Guinote – cujo regresso à blogosfera, via Aventar, se saúda – na defesa de um governo de esquerda, partindo do princípio de que, como tudo indica, haverá uma maioria de esquerda no Parlamento. Mesmo que, em termos relativos, ganhem os Pafes.

Na verdade, porque carga de água é que haveriam de continuar o PSD e o CDS no poder se a maioria do povo votar nos partidos à sua esquerda?

Mas não acredito que essa hipótese se venha a concretizar.

Antes de mais, porque partimos do princípio de que o PS é um partido de esquerda, coisa que está por demonstrar. Não digo que não sejam de esquerda a maior parte dos eleitores e apoiantes, mas no aparelho e na cúpula do partido quem manda é o PS-dos-negócios, são as maçonarias e os lobbies, os caciques internos em busca de poder e as clientelas gananciosas, em suma, o mesmo tipo de interesses que pontificam nos outros partidos do regime e do chamado arco do poder. Gente que de esquerda pouco ou nada tem.

A maioria de esquerda que tantas vezes existiu no Parlamento nunca se converteu em base de apoio a um governo porque o PS nunca quis governar à esquerda. E um governo minoritário com apoio da direita dá-lhe o álibi perfeito para justificar o socialismo eternamente na gaveta, como se viu com Mário Soares, com Guterres e com o segundo governo de Sócrates.

De resto, um PS com algum resquício de vontade de pôr em prática uma política de esquerda procuraria estabelecer compromissos nessa área, o que Costa já demonstrou não querer ao ignorar o repto de Catarina Martins.

Quanto aos micro-partidos, o do Marinho Pinto de que já nem me lembro do nome, o Livre ou o Agir, são essencialmente projectos de natureza pessoal que, na melhor das hipóteses conseguirão eleger o respectivo líder, mas não me parece que contem para alguma coisa na altura de formar governo.

Continuará portanto o PS a apontar o irrealismo das propostas da esquerda “radical” e “irresponsável” e a fazer os acordos de regime que sempre fez com a direita para executar uma política que, em traços gerais, não se distinguirá da que foi seguida nos últimos quatro anos.

Desenganem-se aqueles que pensam que votando no PS estão a votar, já nem digo numa política de esquerda, mas numa real alternativa aos pafes que desgovernaram o país…

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