A descida anunciada do desemprego

O Governo, acompanhado pela UGT, congratula-se com a descida, anunciada pelo INE, da taxa de desemprego, que andará agora nos 11,9%. Um valor ainda elevado, mas que é o menor registado nos últimos quatro anos.

Contudo, convém ter em conta o que este número realmente significa:

  • Nos meses de Verão há sempre uma redução temporária do desemprego em relação ao resto do ano, quer pelo peso que têm actividades económicas como o turismo, fortemente afectado pela sazonalidade, na criação de emprego, quer pela necessidade de algumas empresas em substituir temporariamente trabalhadores em férias nesta altura do ano;
  • A redução do desemprego não significa que tenha havido criação de mais emprego: pelo contrário, a população empregada tem vindo a diminuir, e o desemprego só não alcançou valores ainda mais elevados nos últimos quatro anos porque muitos trabalhadores entretanto se reformaram e muitos desempregados acabaram por emigrar;
  • Os desempregados de longa duração que desistiram de procurar emprego e vivem hoje da ajuda de familiares ou de instituições de caridade também não são considerados nas estatísticas do desemprego, bem como os que são encaminhados para estágios e outras ocupações temporárias pelos centros de emprego;
  • A maior parte dos empregos efectivamente criados são empregos precários, com contratos a prazo, algo que o Governo está vergonhosamente a incentivar, concedendo subsídios às empresas que exploram a precariedade em vez de apostarem na estabilidade profissional dos seus trabalhadores.

Quando estes quatro factores se conjugam é natural que se consiga descer, em algumas décimas, a taxa de desemprego. Que a propaganda governamental apresente isto como uma mudança estrutural na criação de emprego ou o sinal da inversão de um ciclo marcado pela recessão económica, a perda de rendimentos e a pobreza inevitavelmente associadas ao desemprego elevado, até se pode tentar compreender. Vêm aí as eleições e poucos resultados há para apresentar de quatro anos de governação.

Agora a realidade é que está tudo na mesma: os quatro anos de austeridade foram anos perdidos na definição de um rumo que trouxesse prosperidade para o país. As políticas seguidas estão no essencial erradas. De nada serve fazer tudo como está no livrinho do pensamento único neoliberal quando é evidente que nada daquilo pode funcionar no nosso contexto.

Quando o pensamento mágico não resulta, que tal começar a pensar e a construir um futuro melhor a partir das realidades que vemos à nossa volta?…

desemprego

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