Classificadores de 1ª e de 2ª categoria

correctorA nova associação de professores de Português, Anproport, afirma que houve discrepâncias na aplicação de critérios de classificação dos exames de Português do 12º ano e aponta nomeadamente diversas falhas na comunicação que impediram que toda a informação necessária para que houvesse uniformidade de critérios chegasse a todos os classificadores.

Lendo a notícia do Público, que aponta exemplos concretos das acusações feitas pela Anproport, percebe-se que a bronca desencadeou já o habitual passa-culpas, desta vez um pingue-pongue a três entre o IAVE, que agora passou a distinguir entre os “seus” classificadores e os “outros” e pelos vistos envia a uns a informação que não chega aos restantes, o JNE, que pediu mais professores para reforçar a bolsa mas a quem o MEC, para conter custos, não proporcionou a formação dada anteriormente aos classificadores que agora percebemos formarem uma espécie de primeira categoria. Pouco honrosa, diga-se de passagem, como muitos destes colegas, feitos voluntários à força, são os primeiros a salientar.

Tudo isto se passa fundamentalmente, e a meu ver, por duas razões principais:

  • O economicismo que manda cortar custos até em coisas que percebemos que são essenciais para a estratégia do MEC, como os sobrevalorizados exames nacionais, deixando folga orçamental para outras coisas, como as viagens à volta do mundo do ministro e comitiva, pagas pelo contribuinte;
  • O insistir-se em pedir aos exames o que eles não nos podem dar, perseguindo-se o mito da objectividade avaliativa absoluta, que é coisa que não existe: a subjectividade estará sempre presente, sobretudo na avaliação das aprendizagens complexas, e sempre que se pede a um aluno um trabalho criativo ou interpretativo em vez da mera exibição de “competências” previamente treinadas e mecanizadas.

Claro que no final, quando os bonzos dos exames se cansarem de empurrar responsabilidades de uns para os outros, a culpa morrerá sempre nos professores que, afinal de contas, viram os exames, classificaram e assinaram, responsabilizando-se pelo trabalho feito.

Actualização: a polémica entre IAVE e a Anproport continua a ser acompanhada pelo Público, com provas concretas da ambiguidade de critérios a serem apresentadas aqui.

Anúncios

Comentar

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s