O ensino do mandarim: experimentalismo a custo zero

china_flag[1]Na sua crónica de hoje no Público, acessível também no Aventar, Santana Castilho chama oportunamente a atenção para a forma como será feita a introdução do mandarim como língua estrangeira opcional no ensino secundário em algumas escolas, anunciada com pompa e circunstância pelo ministério de Nuno Crato.

Com efeito, trata-se de uma oferta chave-na-mão da parte do governo chinês, através do Instituto Confúcio, que fornecerá os professores, chineses, e decidirá sobre os conteúdos a leccionar, algo que não parece ter paralelo com qualquer outra disciplina do sistema de ensino português, nem sequer cobertura legal. Sobram por isso as interrogações:

Dito nada pelo Ministério da Educação sobre este começo menos auspicioso, sobram perguntas, a saber: que diz o ministro à suspeita transnacional (França, Suécia, EUA e Canadá, entre outros) quanto à utilização do Instituto Confúcio como instrumento de promoção da ideologia do governo chinês? Poderemos aceitar que uma disciplina curricular do sistema de ensino nacional seja leccionada por professores estrangeiros, escolhidos pelo governo da China, pagos pelo governo da China e com programas elaborados por uma instituição que obedece ao governo da China? Conhecida que é a complexidade extrema da aprendizagem do mandarim, particularmente no que à escrita respeita, fará sentido iniciá-la… no 11º ano?

E conclui, muito acertadamente:

A indústria do financiamento alienou por completo a solidez pedagógica das decisões e transformou o currículo escolar numa manta de retalhos de experimentalismos sem coerência.

O ministério de Nuno Crato ficará marcado por um contínuo de soluções aos solavancos, determinadas pela ânsia de responder a um sistema político e económico que exige do ensino resultados com impacto rápido no sistema produtivo. Uma simples lógica de obediência a mecanismos simplistas de mercado, com total desprezo pela vertente personalista da acção educativa e pela necessidade de colher aceitação social para as políticas educativas.

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