Será que estão todos enganados?

merkel_obamaO Presidente dos Estados Unidos pediu à chanceler alemã para evitar a saída da Grécia da Zona Euro. Barack Obama defende que é necessário encontrar uma solução que encaminhe a Grécia no sentido da recuperação económica dentro da moeda única.

O economista francês Thomas Piketty, autor do ensaio “O Capital no século XXI”, considerou, esta terça-feira, que expulsar a Grécia do euro é “abrir a caixa de Pandora” e defendeu a imediata reestruturação da dívida grega. “Há uma espécie de amnésia e de ignorância históricas por parte dos nossos dirigentes que é absolutamente chocante, porque a Europa construiu-se nos anos 1950, precisamente com o abandono das dívidas públicas do passado, para investir em infraestruturas, em crescimento”, disse Piketty.

No artigo de opinião de hoje no The New York Times, Paul Krugman escreve que “a Grécia deve votar ‘Não’ e o Governo grego deve estar preparado, se necessário, para sair do euro”, argumentando que é verdade que o executivo grego “estava a gastar acima das suas possibilidades no final dos anos 2000” mas que, “desde então, cortou repetidamente a despesa e aumentou impostos”. “O emprego público caiu mais de 25% e as pensões (que eram de facto demasiado generosas) têm sido cortadas abruptamente. Se a isto se somarem todas as medidas de austeridade, fizeram mais do que o suficiente para eliminar o défice e passarem a ter um amplo excedente”, nota Krugman.

Também Joseph Stiglitz, que foi distinguido com o Prémio Nobel da Economia em 2001, assina hoje um artigo de opinião no jornal britânico The Guardian, intitulado Como eu votaria no referendo grego. Stiglitz reconhece que “nenhuma alternativa, aprovação ou rejeição dos termos da troika, vai ser fácil e ambas implicam riscos” e sublinha que, se ganhar o “Sim”, isso vai significar “uma depressão quase sem fim”.

Cortes nas pensões e aumentos do IVA não são reformas; não acrescentam nada à atividade económica ou à competitividade. A privatização a preços de saldo pode dar origem a monopólios privados predadores, como sabe qualquer pessoa que viva na América Latina ou no Texas. A desregulação do mercado laboral é pela sua natureza uma experiência anti-ética, a imposição do sofrimento como terapia, o que é confirmado pelos registos internos do FMI pelo menos desde 2010. Ninguém pode sugerir que os cortes salariais vão dar à Grécia a capacidade de competir eficazmente com a Alemanha ou a Ásia pelos postos de trabalho na indústria de bens comercializáveis. Pelo contrário, o que vai acontecer é que qualquer pessoa que tenha formação competitiva ir-se-á embora. Fazer reformas reais é um processo que exige tempo, paciência, planeamento e dinheiro. Reforma das pensões e da segurança social, direitos laborais modernos, privatizações sensatas e uma eficaz arrecadação de impostos. O mesmo acontece com as medidas relativas à administração pública, ao sistema judicial, à coleta de impostos, à integridade estatística e outras questões, sobre as quais há acordo em princípio e que os gregos poriam de imediato em prática se os credores lho permitissem – mas que por razões que se prendem com a negociação, não o fazem. O mesmo aconteceria com um programa de investimentos que enfatizasse os serviços avançados que a Grécia pode proporcionar de maneira adequada, entre eles o cuidado dos idosos, a educação superior, a investigação e as artes. Isto exige reconhecer que Grécia não pode ter sucesso se fizer o mesmo que os outros países; tem de ser diferente: um país de pequenas lojas, de hotéis pequenos e praias abertas. Uma reestruturação da dívida devolveria a Grécia aos mercados (e sim, seria factível, e os gregos têm uma proposta para levá-la a cabo), e seria também, de qualquer ponto de vista razoável, uma reforma. James Galbraith

Anúncios

Comentar

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s