Liberalismo para totós – 5

Segundo o pensamento liberal, o Estado é por natureza um mau gestor de empresas e, acrescentam os mais radicais, nem mesmo sabe gerir-se a si próprio. Porque não tem a motivação do lucro, podendo sempre ir buscar o dinheiro que lhe falta aumentando impostos.

privatizacion_sanidad[1]Os liberais, de várias tendências, que não acreditam no Estado, foram-se infiltrando nas últimas décadas nos partidos políticos tradicionais, os que têm como vocação precisamente conquistar, através dos mecanismos da democracia, o poder político, isto é, o poder de gerir o Estado. Em cuja boa gestão os liberais pura e simplesmente não acreditam. Mas isso não os impede de ter o Estado como patrão.

Como não crêem que o Estado possa ser bom gestor, os liberais no poder tratam de vender as empresas estatais, começando geralmente pelo mais fácil, as empresas lucrativas. Ou seja, as que o Estado afinal até geria bem, fazendo-as até dar lucro mesmo sem ter “motivação” para tal. Depois marcham as outras, convenientemente desvalorizadas e vendidas ao desbarato.

No seu raciocínio simplista e manipulador, os liberais confundem, baralham e metem no mesmo saco coisas tão distintas como:

  • a gestão concreta da coisa pública, feita por pessoas reais, que podem ser competentes ou não, gestores de formação e de carreira com provas dadas ou apenas carreiristas políticos que interessa encaixar em lugares bem remunerados;
  • a tutela política sobre as empresas públicas, que deveria valorizar o serviço público e o património que é de todos mas em vez disso promove a degradação, o endividamento, a má gestão como formas de “provar” a ineficácia da gestão pública e a inevitabilidade das privatizações.

Ao contrário da profissão de fé liberal, o Estado não é por natureza bom ou mau gestor. Tal como sucede na gestão privada, também o Estado pode ser bem ou mal gerido, dependendo das pessoas que se escolhem e das políticas que se seguem. Melhor gestão pública consegue-se, antes de mais e acima de tudo, com melhor democracia, ou seja, com cidadãos mais atentos, conscientes e interventivos em relação ao que os políticos eleitos fazem com o seu voto e com o seu dinheiro.

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