A crise grega

varoufakis-schaeubleO braço de ferro que o governo grego recém-eleito vai mantendo com os credores da dívida grega, representados pelo FMI e as instituições europeias, prolonga-se de uma forma que poucos imaginavam, e frustrando as previsões, quer dos mais optimistas que pensavam que bastaria uma andorinha para fazer a Primavera, rompendo a muralha do neoliberalismo monetarista e austeritário que a União Europeia e o FMI impõem a todos os países em dificuldades, quer dos que achavam que o governo do Siryza iria capitular rapidamente, e em toda a linha, às inevitabilidades impostas pela troika.

Tornou-se também evidente, por estes dias, que fingirem falar a uma só voz quando acusam a Grécia de não apresentar propostas apenas serve para os englobar a todos no rol dos mentirosos, pois bastou Varoufakis divulgar publicamente as propostas gregas, bastante completas, razoáveis e bem fundamentadas, para se perceber que o problema não reside aí, mas sim no facto de os Gregos reivindicarem o direito de, cumprindo com as exigências dos credores, decidirem eles próprios quais as medidas mais justas e eficazes para o conseguirem. Fazendo a sua própria avaliação dos anteriores programas de austeridade que fracassaram e dando prioridade à recuperação económica e a uma repartição mais justa dos sacrifícios que ainda haverá a fazer, como única forma de tornar sustentável o cumprimento dos compromissos assumidos. E preparam nova proposta.

As instituições europeias estão a trilhar um caminho duplamente perigoso, primeiro porque colocam os grandes interesses económicos e financeiros à frente das aspirações e dos valores dos povos europeus e depois porque reduzem a política económica a uma via única, ideologicamente comprometida com o neoliberalismo e notoriamente incapaz, tanto de se adaptar à diversidade de realidades económicas dentro da UE e da zona Euro como de tornar a Europa mais competitiva à escala mundial. Basta comparar, aliás a evolução recente das economias europeias com a dos EUA para notar como a política monetária, a diplomacia económica e o investimento público,Screen-Shot-2015-01-28-at-20.16.57[1] usados de forma moderada mas criativa e inteligente se vêm mostrando ferramentas eficazes da recuperação económica dos Estados Unidos, contrastando com o monetarismo rígido e o laissez faire tão preguiçoso quanto irresponsável das burocracias europeias.

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