Os exames e a demagogia do IAVE

No Público discutem-se as desvantagens da classificação de 1 a 5 que é utilizada no ensino básico, considerada penalizadora pelo inefável presidente do IAVE e pelos representantes de outras organizações pró-governamentais quando um aluno vai a exame com nível 2. Pois precisa de obter nível 4, ou seja 70%, para alcançar o nível 3.

Exames_negocioÉ o que sucede quando só vemos exames pela frente, nesta examocracia delirante induzida pelo ministro Crato e apadrinhada por um governo que nada mais tinha a dar ou a fazer em prol da Educação, que de prioridade de outros tempos passou a penúltimo ministério na hierarquia governamental.

No primeiro ciclo do ensino básico a avaliação é de natureza qualitativa, no segundo e terceiro usam-se níveis, correspondentes a perfis de aprendizagem, que se “casam” mal com as classificações percentuais usadas nos exames. Ora esta incompatibilidade não significa que deveríamos mudar a escala por causa dos exames, antes reforça a evidência de que os exames são um instrumento de avaliação desajustado, quer ao nível etário dos alunos, quer às finalidades do ensino básico.

Assinale-se ainda a demagogia do senhor-IAVE e dos seus apaniguados, nesta sua pretensão de subverter a avaliação no 1º e 2º ciclo em função dos exames, ao recorrer a situações que, sendo teoricamente possíveis, na prática serão muito raras e estatisticamente irrelevantes, como o caso de alunos levados a exame com 2 que consigam obter 65 mas não 70%. Pressionados pela realidade insofismável de os exames potenciarem o insucesso, numa altura em a opinião pública  se mostra mais sensibilizada para o impacto negativo das retenções, os examocratas querem-nos fazer crer que os alunos chumbam por causa da escala de 1 a 5, que impede “recuperações”.

O meu ponto de vista coincide com a de outros opinadores citados na notícia, especialmente com Lurdes Figueiral, que sintetiza a questão em dois pontos essenciais: “o erro resulta do facto de se estar a tentar fazer médias com escalas que são essencialmente qualitativas” e “o que está a mais não são os níveis, mas os exames”. Ora nem mais.

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